Professores do DF fazem paralisação e cobram avanços na carreira

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O Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF) realizou, nesta quarta-feira (18), uma assembleia geral, com paralisação de 24 horas, para debater o calendário de demandas de 2026, que reúne temas decisivos para o avanço de direitos e conquistas da categoria. Entre elas, a continuidade da reestruturação da carreira e a recomposição do quadro do magistério público.

“Estamos em nossa primeira e tradicional assembleia do ano colocando as nossas pautas que são históricas. A educação não recebe nada de graça, tudo é fruto de muita luta, tudo é fruto de muita reivindicação”, observou a diretora do sindicato Márcia Gilda.

Outro ponto de reivindicação da categoria é a equiparação do vencimento básico de professores orientadores educacionais à média da remuneração das demais carreiras de servidores públicos do DF de escolaridade equivalente.

“Nós estamos aqui para dizer para esse governo, que não tem dinheiro para educação mas tem dinheiro para investir em banco falido, que desvia a verba da educação com aluguel de móveis, que a educação precisa ser pauta prioritária de qualquer governo que é eleito e que precisa governar para o povo. Então estamos aqui com a nossa pauta e seguiremos em luta até que a nossa carreira de fato seja valorizada”, ressaltou a diretora do Sinpro.

Presidente da Comissão de Educação na Câmara legislativa do Distrito Federal, o deputado Gabriel Magno (PT-DF) participou da assembleia e reforçou o apoio à categoria, que já realizou duas greves no governo de Ibaneis Rocha (MDB-DF) e Celina Leão (PP-DF). “Esse governo coloca a educação em terceiro, quarto, quinto plano, como inimiga do próprio governo. É uma categoria crítica, que denuncia e que reivindica melhorias não só para categoria, mas para toda a sociedade, para toda a comunidade escolar”.

Outro destaque do calendário é a nomeação do concurso público de 2022. Segundo o Sinpro, foram nomeados 3 mil docentes recentemente, no entanto, o quantitativo não supre a carência existente na rede. De acordo com a entidade, ainda há 2 mil aprovados aguardando a nomeação.

A professora de Letras-Libras Gislene Cristiana, aprovada no concurso de 2022 e atualmente contratada temporariamente na rede pública, afirmou que a paralisação desta quarta-feira também cobra a nomeação dos aprovados. “A inclusão está sendo deixada de lado. Os alunos surdos precisam de continuidade pedagógica, e isso passa pela nomeação dos professores do concurso de 2022”, disse.

Ela também denunciou a situação dos profissionais temporários. Segundo ela, parte dos professores em regime temporário recebeu apenas metade do salário, enquanto outros ainda não receberam. “Estamos vivendo uma calamidade. O contrato temporário não tem direito nenhum e nem seque direito ao salário, que isso nunca aconteceu no DF”, afirmou.

Assembleia Sinpro
Convocação de aprovados em concurso de 2022 foi uma das pautas da assembleia | Crédito: Luiza Melo/BdF DF

Aposentadoria

A garantia de agilidade na concessão das aposentadorias dos professores também é uma dos temas que será pautado pela categoria. A entidade afirma que vem realizando uma série de ações junto ao Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev) e exige, entre outras questões, a flexibilização e a transparência nas informações exigidas para a concessão das aposentadorias.

Militarização nas escolas

O movimento “educar não é militarizar”, deve continuar sendo levantado pela categoria também. O combate à militarização nas escolas é uma luta contínua do Sinpro, desde que o Governo do Distrito Federal (GDF) adotou o modelo de gestão compartilhada, em 2019.

Inicialmente, quatro escolas foram selecionadas: Centro Educacional 3 (Sobradinho), Centro Educacional 308 (Recanto das Emas), Centro Educacional 1 (Estrutural) e Centro Educacional 7 (Ceilândia). Em 2020, o modelo foi expandido e hoje inclui 25 escolas no DF, concentradas principalmente em Ceilândia, Samambaia e Núcleo Bandeirante, sendo algumas geridas pela Polícia Militar e outras pelo Corpo de Bombeiros. Segundo o Governo do Distrito Federal, a proposta visa implementar uma gestão compartilhada com foco em disciplina, civismo e hierarquia, princípios alinhados ao ideário conservador do governo federal da época.

A diretora do Sinpro-DF, Márcia Gilda, afirmou que a sindicato é contrária à militarização das escolas e defende uma abordagem pedagógica voltada à autonomia dos estudantes. “Acreditamos em uma educação libertadora, que forme para o protagonismo, não para a opressão. Desde 2019, lutamos contra esse modelo, que consideramos uma cortina de fumaça, já que a violência não começa na escola, mas vem de fora”, declarou.

Segundo ela, os recursos destinados à militarização poderiam ser investidos em equipes multiprofissionais. “Esse dinheiro poderia ser aplicado na contratação de psicólogos, orientadores educacionais e assistentes sociais. Não precisamos de inúmeros policiais, precisamos que a educação tenha condições de criar um projeto político-pedagógico capaz de enfrentar a violência”, finalizou.

Lutas para 2026

A assembleia também aprovou o calendário de lutas da categoria para 2026. Pela primeira vez, a votação foi realizada em formato eletrônico, considerado pleo sindicato como um marco histórico. Para a coordenadora da secretaria de Organização e Informática do Sinpro, Solange Buosi, embora ainda sejam necessários ajustes, a votação eletrônica passou pelo teste da assembleia: “estamos diante de um sistema de votação mais rápido, transparente e 100% auditável. A categoria usou e aprovou a votação eletrônica”, concluiu.

Confira o calendário aprovado abaixo:

  • Sessão Solene em Homenagem ao Sinpro 27 de março, Plenário da CLDF, às 19h;
  • Comissão Geral sobre o Educa DF 9 de abril, Plenário da CLDF, às 15h;
  • Marcha da Classe Trabalhadora (com paralisação) dia 15 de abril, concentração às 8h, no Teatro Nacional;
  • 1º de Maio da Classe Trabalhadora – a definir.

De acordo com informações do Sindicato, também foram acrescentados mais dois itens ao calendário: auditoria nas contas do GDF, do Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores do Distrito Federal (Inas) e do Iprev e indicativo de paralisação da categoria em caso de não pagamento dos contratos temporários junto com os efetivos, no quinto dia útil do mês.

Fora Ibaneis e Celina

Após a assembleia, os professores da rede pública do DF se dirigiram ao Palácio do Buriti onde era realizada uma manifestação em defesa do patrimônio público de Brasília.

*Com informações do Sinpro-DF.


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