Projeto amplia recuperação ambiental em territórios indígenas no Rio Grande do Sul

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A atuação do Projeto Ar, Água e Terra junto a comunidades Guarani no Rio Grande do Sul ampliou, nos últimos anos, os indicadores de recuperação ambiental e conservação territorial em dez aldeias participantes. Dados atualizados do Instituto de Estudos Culturais e Ambientais (Iecam), responsável pela execução da iniciativa com patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, apontam que as áreas em recuperação ambiental passaram de cerca de dez hectares, em 2024, para mais de 30 hectares atualmente. No mesmo período, as áreas em reconversão produtiva cresceram de cinco para mais de 26 hectares.

Os números mais recentes também indicam expansão significativa no plantio e na produção de mudas de espécies nativas. O total de mudas plantadas nas aldeias dobrou, passando de 30 mil para mais de 60 mil. Já a produção em viveiros comunitários avançou de 20 mil para mais de 30 mil mudas, indicando fortalecimento das estruturas locais de manejo e reprodução vegetal.

Outro dado apresentado pelo projeto refere-se à dimensão territorial das áreas envolvidas. As dez aldeias participantes somam 3.409 hectares, dos quais 3.281 hectares permanecem conservados, o que corresponde a mais de 96% do total. Esses territórios estão inseridos nos biomas Pampa e Mata Atlântica, que enfrentam pressões históricas relacionadas à expansão agropecuária, urbanização e degradação ambiental.

Área de mata em regeneração dentro de território indígena evidencia avanço das ações de preservação – Crédito: Iecam Divulgação

Protagonismo indígena e manejo tradicional

De acordo com a coordenação do projeto, os resultados estão diretamente ligados ao protagonismo das comunidades indígenas na gestão de seus territórios. A coordenadora Denise Wolf afirma que os dados refletem uma forma de organização que integra conservação ambiental, produção de alimentos e manutenção de práticas culturais. Segundo ela, o trabalho desenvolvido não se limita à preservação, mas envolve a construção de sistemas que articulam floresta, água e saberes tradicionais.

Nas aldeias, lideranças indígenas associam as mudanças ambientais ao cotidiano das comunidades. O cacique José Cirilo Pires Morinico, da Teko’a Anhetenguá, em Porto Alegre, relata que o crescimento da vegetação tem contribuído para o retorno de animais e para o acesso a alimentos e plantas medicinais, elementos que, segundo ele, impactam diretamente a saúde e o bem-estar da população local.

Reconversão produtiva e segurança alimentar

Além da recuperação ambiental, o projeto atua na reconversão produtiva das áreas, com incentivo a práticas sustentáveis alinhadas aos modos de vida Guarani. Esse processo envolve o cultivo de espécies nativas, sistemas agroflorestais e o fortalecimento da segurança alimentar nas comunidades.

A proposta inclui ainda ações de viveirismo, formação técnica e educação etnoambiental, com participação direta das comunidades na definição das estratégias adotadas. Segundo o Iecam, a metodologia do projeto é construída de forma participativa, envolvendo equipes indígenas e não indígenas na identificação de demandas e soluções.

Comunidade Guarani realiza plantio de mudas nativas em área de recuperação ambiental no Rio Grande do Sul – Crédito: Iecam Divulgação

Financiamento e parcerias

O Projeto Ar, Água e Terra é financiado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, que apoia iniciativas voltadas à conservação ambiental e ao desenvolvimento sustentável em diferentes regiões do país. A empresa afirma, em seus programas institucionais, que busca apoiar ações com impacto social e ambiental, incluindo projetos junto a povos tradicionais.

Papel dos povos indígenas na preservação

Os dados apresentados pelo projeto dialogam com um conjunto mais amplo de estudos que indicam a importância dos povos indígenas na conservação ambiental. Pesquisas nacionais e internacionais têm apontado que territórios indígenas costumam apresentar menores índices de desmatamento em comparação a outras áreas, mesmo em contextos de pressão econômica.

No caso das aldeias Guarani participantes, os indicadores mostram a combinação entre manutenção de áreas preservadas e ampliação de iniciativas de recuperação ambiental. Para os organizadores do projeto, esse modelo reforça o papel das comunidades indígenas não apenas na proteção, mas também na regeneração de ecossistemas.

A iniciativa segue em andamento nas dez aldeias do Rio Grande do Sul, com previsão de continuidade das ações de restauração, produção de mudas e fortalecimento das práticas tradicionais nos territórios.

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