Projeto lança trilhas sonoras inéditas para tornar patrimônios de Pernambuco mais acessíveis a pessoas com deficiência visual

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Pessoas cegas e com baixa visão passam a contar com uma nova ferramenta para vivenciar alguns dos principais patrimônios históricos, culturais e naturais de Pernambuco. O projeto Paisagens Sonoras lança nove trilhas musicais originais que passam a integrar as audiodescrições já disponíveis para diferentes paisagens do estado, ampliando a experiência sensorial e imersiva durante as visitas. Os conteúdos podem ser acessados gratuitamente pelo Instagram @‌paisagenssonoraspe e pelo site oficial do projeto, que ganhou uma seção exclusiva dedicada às novas composições.

A nova etapa da iniciativa aprofunda uma pesquisa que investiga como a música pode contribuir para a acessibilidade cultural. As trilhas foram criadas para acompanhar as audiodescrições dos espaços mapeados, funcionando como elemento narrativo e sensorial capaz de ampliar a percepção dos ambientes e fortalecer a conexão do público com os patrimônios retratados.

Criado em 2021, o Paisagens Sonoras surgiu inicialmente com o mapeamento de três paisagens do Recife. Posteriormente, a pesquisa foi ampliada para diferentes regiões do estado, resultando na produção de 36 paisagens sonoras distribuídas em nove localidades pernambucanas, com quatro experiências em cada destino.

Entre os locais contemplados estão o Recife Antigo, com registros do Marco Zero, Parque das Esculturas Francisco Brennand, Rua do Bom Jesus e Praça do Arsenal; o Centro Histórico de Olinda; a Vila de Nazaré, no Cabo de Santo Agostinho; a Praia de Maracaípe, em Ipojuca; a Praia dos Carneiros, em Tamandaré; o Engenho Poço Comprido, em Vicência; Serra Negra, em Bezerros; as Cachoeiras de Bonito; e diferentes paisagens do Rio São Francisco, em Petrolândia.

Agora, o projeto incorpora trilhas musicais inéditas às audiodescrições já existentes, permitindo que os visitantes escutem, durante o percurso pelos locais, conteúdos sonoros que dialogam com as características de cada patrimônio.

“O projeto parte da ideia de que o som também pode construir paisagem. As trilhas foram desenvolvidas para potencializar a experiência da audiodescrição, criando camadas emocionais e sensoriais que ampliam o acesso inclusivo aos patrimônios de Pernambuco”, afirma Mateus Guedes.

As gravações aconteceram em Serra Negra, no NAM, e também no Recife, reunindo os músicos Emerson Rodrigues, Isadora Melo, André Oliveira, Parrô Melo, Luccas Maia e Luis Moury.

As trilhas e audiodescrições estão disponíveis para acesso online e foram pensadas para acompanhar o visitante durante o percurso pelos próprios espaços retratados. A proposta é que o público utilize a plataforma enquanto visita os patrimônios, ouvindo os conteúdos correspondentes a cada local e ampliando a experiência de imersão.

Como contrapartida social, o projeto promoveu, em abril, uma atividade com participantes da Associação Beneficente dos Cegos do Recife (ASSOBECER). A ação apresentou as paisagens sonoras do Recife Antigo, permitindo que os participantes experimentassem as audiodescrições acompanhadas pelas novas trilhas em pontos como a Praça do Arsenal e o Marco Zero. Também foram distribuídos cartões com QR Code e identificação em Braille para facilitar o acesso aos conteúdos digitais.

O projeto é idealizado por Mateus Guedes, responsável pela pesquisa, direção e produção musical, em parceria com a realizadora audiovisual Gabriela Oliveira e a produtora executiva Ana Sofia Santana. As audiodescrições são desenvolvidas pela Vouser Acessibilidade. A iniciativa conta com incentivo do Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura de Pernambuco (Secult-PE) e da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), através do Funcultura.

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