PT aposta na atuação de base para fortalecer partido e lança plataforma para formar núcleos

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O Partido dos Trabalhadores (PT) pretende voltar às raízes e apostar na atuação de base para fortalecer o partido frente aos desafios colocados na política nacional. A legenda lançou a Plataforma Nacional de Nucleação, proposta de atuação nos territórios que será implementada em todo o país, nesta quinta-feira (24), durante o 8º Congresso Nacional do partido, que ocorre em Brasília.

A iniciativa prevê a criação de núcleos abertos para debates e elaboração de políticas públicas. Lideranças defenderam a retomada dessa estratégia como eixo central para ampliar o alcance político da legenda nos próximos anos.

Cláudia Lima, secretária Nacional de Nucleação do PT e coordenadora da plataforma, afirmou que a proposta busca consolidar o esforço de estruturar uma organização mais conectada à realidade das comunidades, por meio de uma nova dinâmica partidária. “Estamos apresentando uma proposta ousada, que visa fortalecer a presença e a articulação do partido nos territórios”, disse.

A dirigente também ressaltou a importância da atuação integrada entre diferentes áreas do partido, como organização, comunicação e mobilização popular. “São secretarias que precisam atuar de forma articulada para que possamos construir uma ampla rede de mobilização e comunicação popular ativa nos territórios brasileiros”, afirmou.

A estratégia também foi associada aos próximos desafios eleitorais do partido. “Estamos dando início à construção do próximo ciclo político, com o objetivo de fortalecer o partido e criar as condições para a continuidade do projeto liderado pelo presidente Lula”, acrescentou.

O presidente do PT, Edinho Silva, defendeu o uso de plataformas digitais como ferramenta de apoio à mobilização, mas ressaltou que a presença física segue indispensável. “A tecnologia pode estimular, mas o essencial é a convicção política de estar na base, organizando, debatendo e fazendo educação popular”, disse.

Ele também relacionou a estratégia de reorganização à disputa política nacional. Segundo ele, o fortalecimento da atuação de base, aliado à comunicação, será determinante para influenciar o cenário político e contribuir para a reeleição do presidente Lula. “É essa organização, a partir da base e conectada à disputa nas redes, que pode alterar a conjuntura e criar as condições para o próximo período político”, concluiu.

Impacto

Em discurso aos participantes do encontro, Gustavo Pupio, secretário estadual de organização do PT no Rio de Janeiro, destacou que a iniciativa precisa ser incorporada por toda a estrutura do partido. “A estratégia de nucleação não pertence apenas à direção partidária. É fundamental que o Congresso Nacional do partido assuma a tarefa de nuclear cada militante, filiado e simpatizante com os quais temos contato”, afirmou.

O dirigente ressaltou que a ferramenta foi construída de forma coletiva, com a participação de representantes estaduais. “Essa plataforma foi elaborada de maneira muito dialogada e transversal entre os secretários e secretárias estaduais”, pontuou.

Para ele, a retomada da nucleação é essencial tanto para o futuro quanto para os desafios imediatos do partido. “É no diálogo com a base, nos territórios, nas favelas e nas periferias que vamos construir o futuro do partido — e também o presente, que passa pela vitória do presidente Lula e pela construção de maioria no Parlamento em 2026”, declarou.

Nesse sentido, João Gabriel Prates, coordenador do setor comunitário do PT, afirmou que a plataforma tem como objetivo integrar iniciativas já existentes em uma rede mais estruturada e conectada às comunidades. “Queremos identificar quem são os petistas que atuam nessas frentes — nas cozinhas solidárias, nos cursinhos populares e nos territórios — e criar uma rede de articulação entre eles”, explicou.

Ele destacou ainda a importância do diálogo com quem atua diretamente nas comunidades. “É fundamental discutir política com quem está na ponta, realizando o trabalho de base e promovendo o desenvolvimento territorial. Essa troca precisa retroalimentar o partido e a nossa luta”, disse.

O coordenador também relacionou a estratégia ao cenário político nacional e às eleições futuras. “É essa organização que vai nos permitir disputar corações e mentes, enfrentar a extrema direita e criar as condições para fortalecer o partido e seus projetos políticos nos próximos anos”, concluiu.

Proximidade com o trabalhador

Éden Valadares, secretário de Comunicação do PT, chamou atenção para a necessidade de intensificar a mobilização diante da reorganização da direita no país. Ele destacou o 1º de Maio como um momento estratégico para impulsionar essa articulação. “Estamos convocando uma verdadeira virada de chave. Queremos mobilizar partidos aliados, centrais sindicais, movimentos sociais e nossa militância para ocupar as ruas e também as redes, com unidade e força política”, afirmou.

Entre as pautas mencionadas, o dirigente destacou o debate sobre o fim da escala 6×1, ampliando o alcance da proposta. “Não se trata apenas de jornada de trabalho. Estamos falando do direito de viver, de conviver com a família, de ter acesso ao lazer e à cultura. É sobre romper com uma lógica de exaustão que transforma a vida em trabalho permanente”, disse.

Segundo ele, é fundamental que a base do partido assuma protagonismo na defesa das ações do governo e das propostas políticas. “Cada companheiro e cada companheira precisa se enxergar como porta-voz. Não basta esperar que a comunicação institucional dê conta. É preciso ter coragem de abrir a câmera, falar com o próprio sotaque e traduzir as políticas para a realidade do seu território”, concluiu.

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