O Partido dos Trabalhadores (PT) adotou uma estratégia pragmática para as eleições de 2026, projetando o menor número de candidatos próprios aos governos estaduais em sua história recente. Com o objetivo central de priorizar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a legenda deve ter entre nove e onze nomes para disputar Executivos estaduais, um recuo em comparação aos 24 candidatos apresentados em 2002 e aos 13 registrados no último pleito, em 2022.
O mapa petista é uma aposta na abertura de palanques para aliados de centro e centro-esquerda para ampliar a votação de Lula, que em 2022 venceu Jair Bolsonaro (PL) por apenas 2,1 milhões de votos.
A estratégia passa por regiões onde Lula teve dificuldades e o bolsonarismo demonstra força, como os três estados do Sul, onde o PT não terá candidatos próprios, cedendo a titularidade da chapa que disputará os governos do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina para PSB e PDT.
No Sudeste, o PT costurou alianças no Rio de Janeiro, onde o apoio deve ser direcionado à reeleição de Eduardo Paes (PSD), além de Minas Gerais e Pernambuco, estados em que o partido se articula para caminhar com Rodrigo Pacheco e João Campos, ambos do PSB.
Na contrapartida, em São Paulo e no Espírito Santo, o PT já confirmou as pré-candidaturas ao governo do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad e do deputado estadual Helder Salomão, respectivamente.
No Centro-Oeste, há a possibilidade de que a legenda tenha três pré-candidatos próprios. Em Goiás, o PT aguarda a deputada federal Adriana Accorsi definir se aceita disputar o governo estadual. Caso recue, o partido deve apoiar a pré-candidatura de Avaa Santiago, vereadora de Goiânia pelo PSB.
No Mato Grosso do Sul, o deputado federal Fábio Trad será o pré-candidato do PT ao governo estadual. No vizinho, Mato Grosso, os petistas apoiarão a deputada estadual Natasha Slhessarenko (PSD) na disputa local. No Distrito Federal, a legenda terá seu próprio pré-candidato, o ex-deputado distrital Fábio Trad.
A região Norte, como tem sido comum nos pleitos eleitorais, é o local onde o PT tem menos capilaridade. Em 2022, nenhum candidato petista disputou os governos estaduais. Em 2026, o partido terá, por enquanto, apenas uma pré-candidatura. Em Rondônia, a legenda apresentou o nome de Expedito Netto, secretário nacional da Pesca.
Três candidatos à reeleição puxam a fila de pré-candidatos do PT no Nordeste: Rafael Fonteles, Jerônimo Rodrigues e Elmano Freitas, que governam Piauí, Bahia e Ceará, respectivamente. Além deles, no Rio Grande do Norte, que é governado por Fátima Bezerra (PT) desde 2018, os petistas apostam em um nome do partido, o ex-secretário da Fazenda do estado, Cadu Xavier.
Esse mapa eleitoral confirma a tendência de uma aliança nacional com PSB e PDT, com alguns laços esporádicos com o PSD, o que culminará na construção de uma base heterogênea que pode representar dificuldade programática para Lula, mas deve significar ganho eleitoral.

