Quem é Raul Castro, ex-presidente de Cuba acusado criminalmente nos EUA

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O ex-presidente de Cuba Raúl Castro foi acusado criminalmente nos Estados Unidos por conspiração para matar cidadãos americanos, destruição de aeronave e homicídio — alegações referentes a um caso de 1996.

Aos 94 anos, ele é um dos últimos líderes sobreviventes da revolução cubana e continua sendo influente na ilha, mesmo depois de ter deixado oficialmente poder.

Aqui está o que você precisa saber sobre Raúl Castro:

Em 1959, Raul Castro quando e seu irmão Fidel desceram das montanhas da Sierra Maestra, em Cuba, e derrubaram o regime de Fulgencio Batista.

Enquanto Fidel Castro governava Cuba como principal líder executivo após a revolução, Raúl Castro passou décadas como ministro das Forças Armadas do país. Durante todo esse tempo, foi um dos confidentes mais próximos do irmão, a segunda pessoa mais poderosa do governo cubano e o sucessor designado de Fidel.

O momento de Raúl finalmente chegou em 2006, quando um debilitado Fidel colocou provisoriamente o irmão no comando antes de renunciar formalmente como chefe de Estado em 2008. Como presidente, Raúl promoveu várias reformas importantes, mas o país permaneceu rigidamente autoritário.

A principal dessas reformas foi o chamado “degelo cubano” em 2015, quando Cuba e os Estados Unidos, sob o governo do presidente Barack Obama, estabeleceram relações diplomáticas formais após anos de hostilidade fria. Esse degelo, no entanto, foi interrompido quando o presidente dos EUA, Donald Trump, assumiu o cargo em 2017.

Quando Raúl, por sua vez, deixou a presidência em 2018 em favor de Miguel Díaz-Canel, isso encerrou mais de 60 anos de governo da família Castro em Cuba. Ainda assim, ele continua sendo uma figura presente nos bastidores e na história cubana — aos 94 anos, é um dos últimos comandantes vivos da revolução do país.

Acusações contra Raúl Castro

Nesta quarta-feira (20), o Departamento de Justiça do governo Donald Trump apresentou acusações criminais contra Raúl Castro.

As acusações, que incluem conspiração para matar cidadãos americanos e homicídio, decorrem do suposto papel de Castro em ordenar que duas aeronaves civis pertencentes ao grupo cubano-americano Brothers to the Rescue fossem abatidas, em 1996. Quatro pessoas, três delas americanas, morreram no ataque.

O caso é mais um exemplo extraordinário do uso, pelo governo, do Departamento de Justiça para atingir o líder de um país ao qual se opõe, e praticamente garante o agravamento das tensões históricas entre os dois países.

Quando uma possível denúncia foi divulgada publicamente na semana passada, surgiram imediatamente preocupações sobre uma operação militar em grande escala em Cuba, semelhante à realizada na Venezuela para prender o ditador Nicolás Maduro. Maduro está atualmente detido em Nova York sob acusações de tráfico de drogas.

O presidente dos EUA, Donald Trump, também ameaçou ação militar, dizendo em março que Cuba “vai cair muito em breve” e que “acho que posso fazer o que quiser com ela”. O secretário de Estado Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos, também declarou publicamente que gostaria de ver uma mudança de regime no país.

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