Radiação mortal está na trajetória do voo Artemis II para chegar à Lua

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A trajetória de voo da Artemis II inclui regiões da órbita da Terra carregadas de radiação mortal — incluindo os cinturões de Van Allen, onde os níveis de radiação são particularmente altos porque partículas energéticas ficam presas na magnetosfera da Terra.

Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da Nasa, e o astronauta da Agência Espacial Canadense, Jeremy Hansen — estão dentro da cápsula Orion.

Veja aqui o rastreio da Nasa tempo real.

A nave espacial dos astronautas é projetada para protegê-los da maior parte do perigo, mas eles precisam procurar abrigo se uma repentina explosão de atividade solar lançar radiação em sua direção.

A radiação é uma preocupação tão grande que cada astronauta recebe um limite vitalício de exposição. Ao longo desta missão de 10 diasKoch, Glover, Hansen e Wiseman consumirão 5% de seus limites vitalícios.

Para efeito de comparação, seria necessário passar um mês inteiro na Estação Espacial Internacional, que fica a apenas algumas centenas de quilômetros acima da Terra, para atingir o mesmo nível.

Esses limites são importantes, disse a Dra. Tarah Castleberry, professora associada de medicina aeroespacial da Universidade do Texas Medical Branch e médica de voo que apoia os esforços do programa Artemis, porque ultrapassá-los significa “aumento do risco de doenças cardíacas, declínio cognitivo e de desempenho a longo prazo, caso a pessoa tenha uma alta exposição total à radiação ao longo da vida”.

Um dos motivos pelos quais a exposição à radiação é tão alta para a tripulação da Artemis II: os astronautas passarão um pouco mais de tempo viajando pelos cinturões de Van Allen do que seus antecessores da Apollo, pois entrarão em uma longa órbita ao redor da Terra antes mesmo de irem à Lua.

Caso ocorram fenômenos climáticos espaciais, os astronautas também terão a bordo um abrigo contra radiação e um sistema de alerta em tempo real que emitirá um alarme se precisarem tomar alguma providência.

A missão

Com duração estimada de dez dias, a Artemis II seguirá uma trajetória em forma de “oito”, contornando o lado oculto da Lua. Após duas órbitas iniciais ao redor da Terra, a nave será impulsionada em direção ao satélite natural em uma trajetória de livre retorno, na qual a gravidade lunar garantirá o caminho de volta sem a necessidade de manobras complexas.

A tripulação passará os primeiros um ou dois dias em órbita terrestre alta realizando extensas verificações de sistemas. Isso inclui testar os sistemas de suporte à vida, propulsão, navegação e comunicação da Orion para garantir que a espaçonave esteja pronta para seguir para o espaço profundo.

No ponto de maior aproximação, os astronautas poderão observar a Lua em um tamanho aparente semelhante ao de uma bola de basquete vista à distância de um braço. A missão não prevê pouso na superfície lunar. O principal objetivo é testar, pela primeira vez com humanos a bordo, os sistemas da espaçonave Orion, como suporte à vida, navegação, comunicação e o desempenho do escudo térmico durante a reentrada na atmosfera terrestre.

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