Reação do Irã atinge Israel e 14 bases militares dos EUA no Oriente Médio; Conselho de Segurança marca reunião urgente

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O Irã lançou ataques contra Israel e 14 bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio neste sábado (28), segundo a agência iraniana Tasnim. A contraofensiva ocorre após o ataque conjunto de EUA e Israel contra o território iraniano nas primeiras horas do dia e amplia o conflito para diferentes países da região.

De acordo com a imprensa iraniana, instalações militares estadunidenses no Bahrein, Jordânia, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita foram alvos dos ataques. A Guarda Revolucionária também afirmou ter atingido um navio de apoio de combate da Marinha dos EUA, identificado como US MST. A alegação foi divulgada pela emissora estatal IRIB e pela agência Fars. Uma autoridade dos Estados Unidos, ouvida pela imprensa internacional, negou que o navio tenha sido atingido.

Em Israel, as Forças de Defesa informaram que alertas de ataque aéreo foram ativados em várias áreas do país após a detecção de mísseis lançados do Irã. Os militares afirmaram que a força aérea atua para interceptar os projéteis e que realizou uma “ampla onda de ataques” contra sistemas estratégicos de defesa iranianos, incluindo um sistema avançado SA-65 na região de Kermanshah, no oeste do Irã.

Serviços de emergência israelenses relataram que um prédio no centro do país foi atingido por míssil, além de outro ponto de impacto. Não há, até o momento, detalhamento oficial sobre vítimas nesses locais.

A escalada também alcançou os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait. Em Dubai, um incêndio foi registrado nas proximidades do hotel Fairmont The Palm, após o que a emissora estatal iraniana IRIB classificou como impacto de mísseis. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram fogo ativo próximo ao edifício, sem indicação de que a estrutura principal tenha sido atingida.

Em Abu Dhabi, explosões foram registradas anteriormente na capital dos Emirados Árabes Unidos, onde fica a base aérea estadunidense Al Dhafra. Já no Kuwait, um drone atingiu o Aeroporto Internacional, causando “ferimentos leves” em funcionários e “danos materiais limitados” ao prédio de passageiros, segundo a Autoridade Geral de Aviação Civil do país. As autoridades afirmaram que os protocolos de emergência foram acionados e que o local foi isolado.

Conselho de Segurança convoca reunião de emergência

Diante da escalada, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) convocou uma reunião de emergência para as 16h, no horário da Costa Leste dos Estados Unidos, após pedidos da França, do Bahrein e do próprio Irã.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que condena a escalada militar no Oriente Médio e declarou que o uso da força por Estados Unidos e Israel contra o Irã, bem como a retaliação iraniana na região, “minam a paz e a segurança internacionais”. Ele pediu cessação imediata das hostilidades e advertiu que a continuidade do confronto pode desencadear um conflito regional mais amplo.

Diplomacia sob tensão

Em entrevista à NBC Novos, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, está vivo. Segundo ele, um ou dois comandantes foram mortos, mas a maioria das autoridades iranianas está “viva e ilesa”.

Araghchi declarou que não há comunicação com os Estados Unidos neste momento e que, se Washington quiser negociar, “sabe como contatar os iranianos”, mas que os ataques precisam cessar antes de qualquer possibilidade de diálogo. Ele classificou como “mission impossible” a mensagem do presidente Donald Trump sobre mudança de regime no Irã e afirmou que ainda existe possibilidade de um acordo que garanta o caráter pacífico do programa nuclear iraniano. O chanceler acrescentou que o país não tem capacidade de atingir o território dos EUA e não pretende desenvolver mísseis com esse objetivo.

O ex-ministro das Relações Exteriores Mohammad Javad Zarif também se manifestou. Em publicação na rede Xafirmou que Estados Unidos e Israel escolheram iniciar uma guerra e que, para ambos, a paz seria uma “ameaça existencial”. Segundo Zarif, esta seria a terceira vez que soluções negociadas são sabotadas para atender aos interesses do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

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