As escolas de samba Império de Casa Verde, Gaviões da Fiel e Mocidade Alegre destacaram o papel e os conhecimentos dos povos africanos e indígenas na formação do povo brasileiro e nas artes durante segundo dia de desfiles de São Paulo, neste sábado (14) e na madrugada de domingo (15), no Anhembi, na região central da capital paulista. A apuração dos votos será realizada na terça-feira (17).
A Império de Casa Verde abriu o segundo dia em grande estilo. Com o tema Império Dos Balangandãs: Joias Negras Afro-brasileirasa escola tratou da tradição em ourivesaria africana e na produção de joias, do período de escravidão e da importância das lutas pela liberdade. Ao celebrar o empoderamento feminino, a escola se destacou pela beleza das fantasias.
Em outro enredo que levou para o Anhembi a força feminina e a celebração das raízes africanas, a Mocidade Alegre homenageou a atriz Léa Garcia com o samba Malunga Léa: Rapsódia de Uma Deusa Negra. Garcia foi indicada ao prêmio Cannes de melhor atriz em 1957, por sua atuação em Orfeu Negroprodução vencedora do Oscar de melhor filme estrangeiro naquele ano. Apesar de precisar correr no final para não estourar o tempo de 65 minutos na avenida, a escola impressionou em especial pelos carros alegóricos.
Já a Gaviões da Fiel construiu o maior carro abre-alas para a avenida: 72 metros para representar um mundo harmonioso entre animais, plantas e seres humanos em uma exaltação ao povos indígenas e seu saber ancestral. Com o tema Vozes Ancestrais Para Um Novo Amanhãa escola apresentou um Cristo Redentor usando cocar e levou para a avenida lideranças indígenas como cacique Raoni e a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara.
O passado e o contemporâneo estiveram presentes no desfile da Águia de Ouro, que teve como tema a capital da Holanda no samba Mokum Amsterdã – O Voo da Águia à Cidade Libertáriacom referências a Van Gogh, a Mondrian, à legalização do uso de drogas e à maior proteção aos direitos trabalhistas das profissionais do sexo.
Campeã do grupo de acesso em 2025, a Estrela do Terceiro Milênio homenageou o sambista e compositor Paulo César Pinheiro, autor de Canto das três raças e outros clássicos da música popular brasileira e que completa 55 anos de carreira em 2026 e fez um passeio sobre sua vida e sua obra. Já a vice-campeã de 2025, Tom Maior, falou de Chico Xavier e da importância do mineiro para a religião Espírita no Brasil.
Para fechar os desfiles, a veterana Camisa Verde e Branco tratou do caráter protetor do orixá Exu por meio do tema Abrindo Caminhosexaltando, ainda, a liberdade religiosa. A escola foi a única a não cumprir o tempo de permanência na avenida, por conta do seu último carro alegórico enguiçar na avenida. A equipe da escola conseguiu empurrar o veículo, e o atraso ficou em 19 segundos. Mesmo assim, será penalizada com o desconto um décimo (0,1) em sua nota.

