A Unidade de Busca de Pessoas Dadas por Desaparecidas (UBPD) da Colômbia entregou neste domingo (15) os restos mortais do padre e líder guerrilheiro Camilo Torres. O ato ocorreu no dia em que o assassinato do religioso completou 60 anos. Os fragmentos ósseos foram recebidos pelo sacerdote Javier Giraldo em uma cerimônia privada após uma missa na Universidade Nacional (Unal). A identificação foi confirmada por três laboratórios forenses, incluindo um nos Estados Unidos, que utilizaram amostras genéticas dos pais de Torres para o confronto de dados.
Camilo Torres Restrepo nasceu em uma família rica de Bogotá em 1929 e estudou teologia e sociologia. Ele ajudou a fundar a Faculdade de Sociologia da Universidade Nacional. Após embates com a Igreja Católica por suas posições políticas, ele se convenceu de que as vias legais estavam bloqueadas, decidindo ingressar no Exército de Libertação Nacional em 1965. Torres foi morto em um confronto com soldados do governo apenas um ano depois de sua entrada para a guerrilha.
A entrega dos restos mortais acontece em meio a divergências técnicas. O Instituto Nacional de Medicina Legal da Colômbia afirmou que suas análises ainda não são conclusivas devido à degradação do material encontrado. No entanto, a unidade de busca decidiu pela entrega baseada em outras três confirmações técnicas.
O reitor da Universidade Nacional, Andrés Felipe Mora, destacou a importância de manter vivo o pensamento do sociólogo. “Mantenhamos vivo seu legado. O mesmo que nos recorda o ciclo que deve se estabelecer entre universidade e sociedade”, afirmou o catedrático.
O caso de Camilo Torres é um dos primeiros registros de desaparecimento forçado no conflito colombiano, que soma cerca de 120 mil pessoas desaparecidas em mais de cinco décadas.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, já havia declarado que o corpo de Torres seria tratado com as devidas honrarias por sua importância histórica. Segundo Petro, o sacerdote guerrilheiro será “respeitado e depositado com honras como fundador da Faculdade de Sociologia da Universidade Nacional e como fundador da Teologia da Libertação no mundo. Sacerdote e revolucionário”.
*Com informações da TeleSUR

