Seguimos fortes: panorama do boxe olímpico brasileiro

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Os meses de abril e maio foram quentes para o boxe olímpico brasileiro. Três competições aconteceram nesse período e os resultados demonstram o bom trabalho realizado pela CBBoxe (Confederação Brasileira de Boxe), assim como pelas federações estaduais, na preparação para o próximo ciclo olímpico.

No Panamá, entre 12 e 25 de abril, aconteceu a quarta edição dos Jogos Sul-Americanos da Juventude, evento com participação de atletas de 14 a 18 anos de idade distribuídos em 22 modalidades. Foram quinze nações participantes e o Brasil liderou o quadro de medalhas, com 157 conquistas.

No boxe, a equipe liderada pelos treinadores Raphael Piva e Jefferson Merim, que contou com 11 atletas, teve uma excelente campanha: retornou com dez medalhas, sendo três de ouro, seis de prata e uma de bronze. O foco agora são os Jogos Mundiais da Juventude, a principal competição para a categoria juvenil, que serão realizados em Dakar, Senegal, entre outubro e novembro deste ano.

Entre 20 e 26 de abril, o Brasil recebeu a primeira etapa do Campeonato Mundial de Boxe, organizado pela World Boxing, instituição que substituiu a IBA como organizadora do boxe nos Jogos Olímpicos. Foram trezentos combates realizados entre quase 400 boxeadores e boxeadoras de 50 diferentes países. A competição aconteceu em Foz do Iguaçu e, novamente, o Brasil terminou à frente no quadro de medalhas, com quatro de ouro e cinco de prata. Os campeões foram Luiz Oliveira (60 kg), Yuri Falcão (65 kg), Wanderley Pereira (80 kg) e Isaías Filho (90 kg). Os vice-campeões foram Kaian Reis (70 kg), Thauan Silva (75 kg) e Kaue Belini (85 kg) no masculino, e Rebecca Santos (60 kg) e Barbara Santos (75 kg) no feminino.

Depois do Brasil, a seleção com melhor desempenho foi a China, que venceu todas as suas quatro finais no último dia de competição, além de ter ganho uma medalha de bronze. Já o terceiro e o quarto lugares no quadro de medalhas ficaram com o Cazaquistão e o Azerbaijão, que tiveram três vencedores cada no último dia de competição. Os únicos outros países a conquistarem mais de uma medalha de ouro no último dia foram o Uzbequistão e a Polônia, que terminaram com duas medalhas de ouro cada. Venezuela e Noruega tiveram uma medalha de ouro cada. Ao todo, 27 países conquistaram alguma medalha.

E, por último, e não menos importante, aconteceu o Campeonato Brasileiro de Elite, para atletas adultos a partir dos 19 anos de idade. O evento foi realizado na mesma estrutura que recebeu o campeonato da World Boxing, iniciando-se poucos dias após a finalização da etapa mundial, entre 29 de abril e 3 de maio. A competição contou com a volta de Beatriz Ferreira ao circuito olímpico, que, representando o estado da Bahia, sagrou-se campeã na categoria 60 kg. Outros atletas olímpicos, como Jucielen Romeu e Keno Marley, abrilhantaram o torneio.

A equipe da Bahia, comandada pelos treinadores Gilvan Bispo, Marquinho, André e Biriba, manteve a hegemonia do boxe brasileiro, com a incrível marca de dez conquistas de ouro (cinco na categoria feminina e cinco na masculina), além de uma medalha de prata e duas de bronze. A equipe paulista alcançou a segunda colocação, com destaque para Kelvy Alecrim (55 kg). Em seu segundo campeonato de elite, sagrou-se campeão e foi eleito o melhor atleta da competição.

Que o governo federal, o comitê olímpico brasileiro, assim como os estados e municípios, elevem o incentivo ao boxe brasileiro. Sabemos que o investimento em viagens e participações em torneios internacionais aumenta a possibilidade de medalha de um atleta. A tradição de golpear com os punhos segue forte em terras tupiniquins.

*Michel de Paula Soares é doutor em Antropologia pela Universidade de São Paulo, pesquisador do LabNAU/USP, coordenador do Boxe Autônomo e responsável pela coluna Esportes Rebeldes.

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.

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