Sem Michelle e rusgas sobre pauta, ato da direita em SP vira palanque para Flávio Bolsonaro

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Na manifestação “Acorda Brasil”, mobilizada pela direita na Avenida Paulista, região central de São Paulo, neste domingo (1°), bolsonaristas defenderam uma intervenção do presidente estadunidense Donald Trump no Brasil, o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e “liberdade” para os condenados pela trama golpista.

Esta foi a primeira manifestação em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou como pré-candidato à Presidência. Uma pesquisa de intenções de votos divulgada pelo Paraná Pesquisas na sexta-feira (27) indicou empate entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dentro da margem de erro de 2,2 pontos percentuais.

O último a falar no ato, Flávio afirmou que “prenderam pessoas que nunca cometeram crimes e obrigaram pessoas a saírem da própria pátria”, ao se referir aos presos pelos ataques de 8 de janeiro de 2023.

“A gente tem uma batalha pela frente que é derrubar o veto do Lula ao PL da Dosimetria e todos os condenados pelo 8 de janeiro poderão ir para as suas casas, menos Jair Messias Bolsonaro. O ex-presidente da República mais uma vez se sacrificando pelo seu país e pessoas inocentes”, disse. Jair Bolsonaro foi julgado e condenado pelo STF a uma pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado.

O senador aproveitou para acenar para as mulheres ao afirmar que, no governo Bolsonaro, elas foram “protegidas” e que não irá tolerar violência doméstica. Ao longo de sua gestão, no entanto, Jair Bolsonaro cortou em 90% a verba disponível para ações de enfrentamento à violência contra a mulher, conforme apuração do jornal Folha de S. Paulo.

Em nítido tom eleitoral, Flávio declarou ao encerrar o ato: “Deus vai abrir esse mar para gente atravessar e, do outro lado, a gente vai cantar o hino da vitória”.

Ausência de Michelle

Um pouco antes da manifestação, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que convocou o ato, publicou uma carta atribuída a Jair Bolsonaro (PL), na qual o ex-presidente lamentou as críticas feitas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e a aliados.

Bolsonaro afirmou que as disputas pelas “cobiçadas” vagas para as eleições de 2026 devem ser discutidas com diálogo e sem pressão. Um dia antes, Eduardo Bolsonaro disse que o apoio de Nikolas e Michelle à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência está “aquém do desejável”.

Michelle Bolsonaro, diferentemente das manifestações anteriores na Avenida Paulista, não compareceu ao ato, bem como o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos), que viajou à Alemanha para visitar o supercomputador Jupiter, considerado o mais rápido da Europa.

As ausências e as rusgas entre os bolsonaristas, no entanto, não vieram à tona para o público. Os aliados presentes trataram de destacar a presença dos apoiadores presentes, como os governadores Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás, e Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais; e o ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo e deputado federal, Guilherme Derrite (PL-SP). Ele é um dos nomes da direita indicados para compor a chapa no estado e disputar uma das duas vagas ao Senado.

Holofotes

Os holofotes estavam voltados para Flávio Bolsonaro, que chegou escoltado por Nikolas Ferreira e causou alvoroço na entrada do trio elétrico. Uma mulher passou mal e precisou ser atendida debaixo do caminhão.

Ao Brasil de Fatodeputados e políticos presentes afirmaram que o apoio demonstrado a Flávio durante o ato não esta “aquém do desejável”. Ao contrário, justificaram a fala de Eduardo a um abalo emocional pela condenação do pai e o “exílio” nos Estados Unidos.

O filho do ex-presidente participou remotamente da manifestação por cerca de três minutos e declarou apoio a Flávio Bolsonaro. Eduardo foi condenado pelo STF por tentativa de coação no processo em que o pai foi julgado pela trama golpista e perdeu o mandato por excesso de faltas.

Os pais e o irmão de Carla Zambelli também estavam presentes, mas assim como outros bolsonaristas, inclusive parlamentares, assistiram à manifestação embaixo do carro de som.

Segundo o deputado estadual Tomé Abduch (Republicanos), coordenador do movimento “Nas Ruas”, a organização do ato custou cerca de R$ 130 mil.

A ex-deputada foi condenada pelo STF em dois processos pelos crimes de invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica e pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Ela está presa na Itália desde 29 de julho de 2025. Tanto Zambelli como Eduardo Bolsonaro foram tratados como exilados políticos.

Outro tema presente na manifestação foi o da segurança pública. Já próximo ao fim do ato, um vídeo de cerca de cinco minutos com imagens de assaltos foi exibido para o público. Junto aos flagrantes dos crimes, foram exibidas imagens do presidente Lula e de aliados dele. Em determinado momento, o vídeo diz que o Brasil está cansado de “pretos que viram brancos” com o rosto da deputada federal Erika Hilton (Psol-SP).

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