Organizações da sociedade civil, movimentos sociais, instituições de ensino, empresas e coletivos podem inscrever, até 5 de julho, atividades para integrar a programação da 1ª Semana de Ação Climática de Porto Alegre. O evento será realizado entre os dias 20 e 26 de julho e pretende mobilizar diferentes setores da sociedade em torno de soluções para a crise climática, fortalecendo o debate sobre adaptação, justiça climática e desenvolvimento sustentável em um estado ainda marcado pelos impactos das enchentes e eventos extremos dos últimos anos.
As propostas devem ser enviadas por meio do site oficial da iniciativa e podem incluir oficinas, painéis, rodas de conversa, exposições, atividades culturais, mutirões, aulas abertas, ações comunitárias e reuniões técnicas. A expectativa é construir uma programação diversa e descentralizada, conectando comunidades, pesquisadores, gestores públicos, setor privado e organizações da sociedade civil.
O lançamento oficial da Semana de Ação Climática ocorreu em 28 de maio, no Multipalco Eva Sopher, do Theatro São Pedro, em Porto Alegre. O evento contou com a presença do presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, além das enviadas especiais da conferência climática da ONU, Denise Dora e Jurema Werneck. A atividade reuniu autoridades, pesquisadores, representantes de movimentos sociais e organizações da sociedade civil.
Porto Alegre como símbolo da adaptação climática
Durante sua participação no lançamento e em entrevista à imprensa, o presidente da COP30 destacou que Porto Alegre passou a ocupar um lugar de referência internacional no debate sobre adaptação climática após os desastres que atingiram o Rio Grande do Sul.
Segundo o embaixador, a experiência vivida pela capital gaúcha reforça a importância de investir em infraestrutura urbana preparada para enfrentar eventos extremos cada vez mais frequentes em diferentes partes do mundo. “O caso de Porto Alegre mostra a diferença que faz a infraestrutura prever essa alteração da mudança do clima, que está provocando desastres na Europa, nos Estados Unidos, no Brasil. Porto Alegre virou um símbolo dessa dimensão da adaptação”, afirmou.
Corrêa do Lago também ressaltou a urgência de ampliar as ações de e enfrentamento à crise climática, destacando o papel da ciência e da cooperação internacional na construção de respostas efetivas. “Nós acreditamos em ciência e sabemos hoje que temos relativamente pouco tempo para combater aquilo que está afetando de maneira muito significativa a mudança do clima.”
Ao contextualizar os desafios atuais, o embaixador relembrou o acordo internacional que enfrentou o problema do buraco na camada de ozônio como exemplo de cooperação global bem-sucedida baseada em evidências científicas. “Um bando de países se juntou, diplomatas trabalharam juntos, encontraram mecanismos de financiamento e transferência de tecnologia. E o fato incrível é que, em 25 anos, o buraco da camada de ozônio começou a diminuir.”
Ele observou, entretanto, que a crise climática representa um desafio ainda mais complexo por envolver a dependência mundial dos combustíveis fósseis, responsáveis por mais de 75% das emissões globais de gases de efeito estufa.
Apesar da lentidão das negociações internacionais, Corrêa do Lago avaliou que houve avanços importantes na compreensão sobre a necessidade de combinar medidas de mitigação, voltadas à redução das emissões, com estratégias de adaptação capazes de proteger cidades, infraestruturas e populações dos impactos já em curso.
Programação segue eixos da Agenda de Ação Climática da COP30
A programação da Semana de Ação Climática será orientada pelos seis eixos da Agenda de Ação Climática Global da COP30. Entre os temas estão a transição nos setores de energia, indústria e transporte; a gestão sustentável de florestas, oceanos e biodiversidade; a transformação da agricultura e dos sistemas alimentares; a construção de resiliência em cidades, infraestrutura e recursos hídricos; e a promoção do desenvolvimento humano e social.
A iniciativa também pretende incentivar ações voltadas à inovação, à participação social e à transição justa, ampliando o diálogo entre diferentes setores da sociedade sobre os caminhos para enfrentar a emergência climática.
Podem participar da chamada pública organizações da sociedade civil, ONGs e fundações, movimentos sociais, universidades, escolas, empresas, instituições financeiras, órgãos públicos, coletivos culturais e de juventudes, organismos internacionais e iniciativas independentes de base territorial ou comunitária.
As atividades inscritas podem assumir diferentes formatos, incluindo painéis, oficinas, rodas de conversa, exposições, ações comunitárias, atividades culturais e esportivas, aulas abertas, lançamentos, laboratórios de inovação, rodadas de investimento, eventos híbridos, mutirões e encontros técnicos.
A expectativa dos organizadores é fortalecer conexões entre comunidades, pesquisadores, gestores públicos, organizações da sociedade civil e iniciativa privada, consolidando Porto Alegre como um espaço de articulação e debate sobre os desafios impostos pela crise climática.
UM Semana do Clima Porto Alegre é articulada por organizações da sociedade civil, instituições acadêmicas e redes voltadas à justiça climática, reunindo parceiros nacionais e internacionais comprometidos com a construção de cidades mais resilientes, inclusivas e sustentáveis.
As inscrições podem ser realizadas através deste link.

