Semana dos Acadêmicos Indígenas reafirma povos tradicionais na UnB há uma década

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Começou nesta terça-feira (28) e vai até o dia 30 de abril, a 10ª Semana dos Acadêmicos Indígenas (SEMAI 2026) da Universidade de Brasília (UnB). O evento, organizado pela Associação dos Acadêmicos Indígenas da UnB (AAIUnB), marca uma década de encontros que articulam permanência, luta e produção de conhecimento a partir dos povos originários.

Nesta edição, o tema “Do território à universidade: saberes que nos guiam na ocupação do espaço acadêmico” tem como objetivo destacar a UnB como uma das instituições pioneiras nas políticas de ações afirmativas desde 2004, e destaca a conquista atravessada pela resistência coletiva dos povos indígenas.

Para Niara Nukini, do povo Nukini (Acre), estudante de Antropologia e presidente da AAIUnB, a presença indígena na universidade não é apenas acadêmica, é política e ancestral. “Estar na universidade não é deixar de ser quem somos. A universidade é um território. Nossa presença carrega nossos ancestrais”, afirma.

Niara reforça que a SEMAI ultrapassa o formato de evento institucional: “É um território de resistência dentro da universidade”. Para ela, cada estudante indígena que ocupa a UnB amplia um gesto histórico de continuidade. “Nós estamos aqui para aprender, ensinar, compartilhar e fortalecer nossos modos de existir”.

A dirigente também enfatiza o caráter coletivo da presença indígena no ensino superior: “Não é uma presença individual, ela carrega nossos ancestrais e constrói caminhos para aqueles que ainda virão”.

Do território à universidade

A programação da SEMAI 2026 articula debates sobre saúde mental, línguas maternas, epistemologias indígenas e diversidade de gênero, reafirmando que o conhecimento não é monopólio acadêmico, mas um campo de disputa.

Niara sintetiza essa visão ao afirmar que “nossos saberes, nossas línguas e nossas existências importam”. Ela lembra ainda que a ocupação da universidade é também uma disputa contra apagamentos históricos: “Durante muito tempo tentaram nos silenciar, mas hoje estamos aqui com força, identidade e coletividade”.

O tema central da edição, ao tratar da relação entre território e universidade, busca reforçar que o conhecimento indígena não é complemento, mas fundamento para pensar o presente e o futuro.

No primeiro dia, o evento teve cerimônia conduzida por Oziel Ticuna e apresentação do Hino Nacional em língua Ticuna. A tarde foi dedicada às trajetórias indígenas na universidade, com mesas sobre permanência acadêmica e conquistas de estudantes e egressos.

Nesta quarta-feira (29), o evento aprofunda temas centrais da vida universitária indígena com debates sobre maternidade, saúde mental, língua materna e educação, e diversidade sexual e de gênero.

A programação também inclui oficinas de grafismos, pintura de ecobags e atividades culturais que reafirmam a arte como linguagem política. O dia encerra com música e canto coletivo.

O último dia da SEMAI foca nas estruturas que sustentam a presença indígena no ensino superior com mesas sobre políticas de permanência e direitos; debate sobre professores indígenas e epistemologias próprias; além de oficinas de comunicação e plantas medicinais.

Noite cultural

A programação se encerra com a Noite Cultural, que reúne danças, cantos, DJ Tikuna, bingo e o Desfile dos Ancestrais Acadêmicos, onde estudantes apresentam pinturas, trajes e artesanatos.


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