Seminário em Pernambuco debate como a criminalização das drogas impacta a experiência de ser mãe

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Nesta terça-feira e quarta-feira (dias 28 e 29), dezenas de ativistas, pesquisadoras e gestoras públicas se reúnem para debater a relação entre a política de criminalização das drogas e a experiência de maternar em Pernambuco. O seminário Justiça reprodutiva e redução de danos como caminhos entrelaçados para a saúde integral acontece das 9 horas às 18 horas, na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), promovido pela própria instituição em parceria com a Escola Livre de Redução de Danos. A Fiocruz fica no campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na Cidade Universitária, zona oeste do Recife.

O seminário vai discutir como os marcadores de gênero, raça e classe social impactam o acesso ao cuidado. O objetivo do encontro é evitar que as políticas públicas reproduzam as desigualdades que estruturam a sociedade brasileira e se tornem ferramentas para a emancipação das populações historicamente marginalizadas, entre as quais usuárias de drogas e pessoas em situação de rua. As soluções, segundo a organização, passam pela articulação de saberes acadêmicos, experiências práticas de movimentos populares e o fortalecimento de redes de cuidado e do próprio SUS.

As mesas do encontro tratarão de temas como justiça reprodutiva, saúde mental, identidades de gênero e sexualidade e estratégias de redução de danos sob o prisma dos direitos humanos. Para a organização do evento, o direito à autonomia corporal e o cuidado com a saúde mental sob perspectiva antimanicomial são indissociáveis da estratégia de redução de danos. “Quando falamos em redução de danos e justiça reprodutiva, estamos falando de garantir dignidade e respeito à diversidade de corpos e desejos”, destaca Priscilla Gadelha, diretora da Escola Livre de Redução de Danos e coordenadora do seminário.

O Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde, aponta que cerca de 77% dos óbitos maternos em Pernambuco têm mulheres negras como vítimas. O Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (Raseam 2025), do Ministério das Mulheres, indica que praticamente metade (49%) das mulheres encarceradas no país estão privadas de liberdade por crimes relacionados a drogas.

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