Sob asfixia energética dos EUA, Cuba restabelece energia após segundo apagão em uma semana

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Cuba restabeleceu, neste domingo (22), o serviço de energia elétrica nacional após um novo apagão, o segundo em menos de uma semana. A interrupção ocorreu após falha em uma unidade de geração que levou à queda do sistema. Parte de Havana, capital do país, foi reconectada horas antes, segundo a empresa estatal.

O primeiro-ministro Manuel Marrero Cruz afirmou que o serviço foi retomado com o trabalho dos eletricitários. “Com o esforço dos nossos trabalhadores elétricos, conseguimos restabelecer o SEN (Sistema Elétrico Nacional)”, afirmou em seu perfil no X. As autoridades informaram que o consumo segue acima da capacidade de oferta.

A geração de energia elétrica do país depende de uma rede de usinas termelétricas antigas, algumas com mais de 40 anos. A ilha, com 9,6 milhões de habitantes, sofre com apagões massivos e recorrentes há mais de dois anos, que às vezes duram vários dias.

Em 16 de março, Cuba registrou um apagão que atingiu todo o sistema elétrico nacional e afetou aproximadamente 10 milhões de pessoas. Nas semanas anteriores, as falhas já haviam deixado grande parte do território sem energia. O apagão do sábado (21) ocorreu quando o sistema elétrico sofreu uma “desconexão total”, segundo o Ministério de Energia. O corte começou no fim da tarde em Havana e atingiu grande parte do país. Técnicos iniciaram o processo de recomposição ainda no mesmo dia.

Pressão de Washington

O país enfrenta a falta de combustível desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, restringiu o envio de petróleo da Venezuela a Cuba. No dia 3 de janeiro, o então presidente venezuelano Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores foram sequestrados e presos por agentes estadunidenses. Na sequência, Trump passou a controlar a comercialização do petróleo do país.

Em meio à crise, autoridades cubanas citaram o aumento da pressão de Washington. O vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos F,

ernández de Cossio, disse que o país se prepara para a possibilidade de um conflito. “Nosso exército sempre está preparado. E, de fato, nestes dias se prepara para a possibilidade de uma agressão militar”, afirmou.

“Nosso país tem estado historicamente pronto ‌para se mobilizar como uma nação como ‌um todo para ⁠uma agressão ⁠militar… Não acreditamos que seja algo provável, mas seríamos ⁠ingênuos se não ‌nos preparássemos”, disse. “Não vemos por que isso teria de ocorrer e ⁠não encontramos justificativa alguma.”

Solidariedade em Cuba

Parlamentares de esquerda, dirigentes sindicais e representantes estudantis brasileiros participam de uma caravana internacional de solidariedade a Cuba que levou cerca de 20 toneladas de produtos para ajuda humanitária. A delegação integra o Nuestra América Convoy a Cuba, que reúne comitivas de 10 países em três continentes.

Entre os itens enviados estão alimentos, medicamentos, produtos de higiene e equipamentos de energia solar, com foco em hospitais e serviços essenciais. Parte dos materiais está sendo transportada em voos e embarcações, enquanto voluntários também levam remédios em bagagens pessoais. A distribuição deve ser feita por organizações locais.

Marcelo Durão, da brigada do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que faz parte do movimento de solidariedade a Cuba, afirma que o estrangulamento de Washington traz problemas reais ao cotidiano das pessoas, “que cada vez mais sofrem com períodos sem energia”.

“Sem luz, você também pode ter um problema no abastecimento hidráulico, porque todo o transporte de água em Cuba é feito também a partir de motores, bombas elétricas. Outra questão é a dificuldade de transporte dos alimentos, por não ter combustível para os caminhões, o deslocamento da produção.”

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