Este ano, a tradicional manifestação do dia do trabalhador, no Recife, foi realizada na véspera, evitando a concorrência com o feriadão e a praia, opção de parte dos recifenses nos dias 1º de maio. A mudança de data, a convocatória dois dias antes e as chuvas que caíram sobre a capital pernambucana não impediram que centenas de pessoas se reunissem no ato político no parque 13 de Maio, nesta quinta-feira (30). Os discursos pedindo a redução da jornada de trabalho de 44 horas e o fim da escala seis por um e dividiram espaço com as críticas ao Congresso Nacional.
A manifestação não realizou caminhada, mantendo-se concentrada no parque em frente à Faculdade de Direito do Recife, com discursos de lideranças políticas e sindicais, cartazes, bandeiras e gritos de guerra. Ao fim do ato, por volta das 17 horas, a rua Princesa Isabel foi trancada por cerca de cinco minutos e logo liberada pelos manifestantes.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), professor Paulo Rocha, reforçou a centralidade da luta contra a escala 6×1, mas também pautou a igualdade salarial entre mulheres e homens. “Elas ainda recebem em média 22% a menos que os homens no exercício da mesma função. Até no serviço público, elas têm menos espaço nos postos de comando”, criticou. Rocha considera que o dia do trabalhador é uma data para denúncias, mas também para anúncios de futuro. “Queremos uma sociedade com pleno emprego, onde todos tenham moradia digna, alimentação, tendo como valores a fraternidade, a justiça e a democracia”.
A deputada Rosa Amorim (PT) discursou minutos após o Senado derrubar os vetos presidenciais ao PL da Dosimetria. “O Congresso quer anistiar aqueles que tentaram dar um golpe no Brasil (em janeiro de 2023). O povo brasileiro não pode aceitar. Lugar de golpista é na cadeia”, discursou a parlamentar, que também defendeu a redução da escala de trabalho. “É mais tempo de qualidade para o povo trabalhador brasileiro poder descansar, cuidar de si, sonhar. As mães trabalhadoras, o povo preto, o povo pobre, tem que ter direito ao descanso.
A vereadora Kari Santos (PT), do Recife, mostrou desconfiança quanto a uma aprovação da redução da jornada e escala de trabalho com a conformação atual da Câmara Federal e do Senado. “Precisamos tirar esse Congresso, que é inimigo do povo. Temos que derrubar esses fascistas que são sustentados com o dinheiro do povo, mas que não ouvem quando 71% da população pede o fim da escala 6×1”, disparou a vereadora, que também criticou a privatização da Compesa pelo governo de Pernambuco. “A maior empresa de Pernambuco está nas mãos da iniciativa privada porque a governadora Raquel Lyra não cumpriu o que prometeu”, disse Santos.
A deputada Dani Portela (PT) alertou para os riscos representados pela ofensiva da exrema-direita, colocando em xeque não só direitos trabalhistas conquistados a duras penas, mas ameaçando a própria democracia. “É urgente reelegermos o melhor presidente da história do Brasil, mas também é urgente elegermos um Congresso que não seja inimigo do povo. Precisamos de deputados e deputadas aliados de Lula, mas principalmente senadores. A direita quer controlar o Senado para fazer impeachment contra ministros do Supremo. Depois pode vir o fechamento de sindicatos e o fim das liberdades democráticas”, alertou.
Além de Rosa Amorim, Dani Portela e Kari Santos, estiveram na manifestação os deputados Doriel Barros e João Paulo Costa, além do vereador Henrique Metalúrgico, todos do PT. O público presente foi composto majoritariamente por dirigentes e militantes de base de sindicatos atuantes na região metropolitana do Recife. Enfermeiros, professores da rede pública, metalúrgicos, bancários e outras categorias estiveram presentes. O ato foi liderado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e pela Nova Central Sindical (NCS).
Outra manifestação, no Largo da Paz
Nesta sexta-feira (1º), o movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e outras organizações da sociedade civil, como a central sindical Conlutas, o Sindicato dos Servidores do IFPE (Sindsifpe), os partidos UP, o PCB e o PSTU, o PCBR, o Movimento Passe Livre e outras entidades realizam uma outra manifestação, a partir das nove horas da manhã, no Largo da Paz, bairro de Afogados, sob o lema “por melhores empregos, salários e direitos e para combater os inimigos do povo”.

