Na sessão desta sexta-feira (10), o contrato futuro da soja para entrega em novembro encerrou o pregão na Bolsa de Chicago cotado a US$ 11,81 por bushel, com valorização de 0,78%.
O relatório de julho de oferta e demanda mundial do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) não trouxe grandes surpresas ao mercado. Ainda assim, o documento foi interpretado como positivo pelos investidores e abriu espaço para uma recuperação dos preços, à medida que o foco volta a se concentrar nas condições climáticas que devem influenciar o desenvolvimento da safra norte-americana nas próximas semanas.
Segundo análise da Royal Rural, o relatório foi favorável tanto para a soja quanto para o milho, não por mudanças expressivas na produção, mas pelos ajustes na demanda e nos estoques finais, que impulsionaram as cotações em Chicago.
No caso da soja, o suporte aos preços veio principalmente pelo lado da demanda. O USDA elevou a estimativa da produção da nova safra dos Estados Unidos para 121,79 milhões de toneladas, mas também aumentou a projeção de exportações para 45,18 milhões de toneladas. Mesmo com uma safra maior, os estoques finais norte-americanos foram mantidos em 8,44 milhões de toneladas, sem alteração em relação ao relatório de junho e abaixo dos 8,98 milhões de toneladas projetados para a temporada atual.
A China também esteve no centro das atenções. O USDA revisou para cima a previsão de importações chinesas de soja da nova safra para 115 milhões de toneladas, um milhão de toneladas acima da estimativa de junho e superior às 113 milhões de toneladas previstas para a temporada atual. A projeção de consumo no país asiático também foi elevada para 136 milhões de toneladas, reforçando a percepção de demanda mais aquecida e em linha com as recentes compras de soja norte-americana.
Embora a produção mundial tenha sido elevada para 441,70 milhões de toneladas, o USDA também aumentou as estimativas de importação, consumo e exportação. Com isso, os estoques finais globais foram reduzidos de 124,88 milhões para 124,17 milhões de toneladas, fator que contribuiu para sustentar a alta dos preços da oleaginosa.
Milho
O contrato futuro do milho com vencimento em dezembro encerrou a sessão cotado a US$ 4,61 por bushel, com alta de 1,99% na Bolsa de Chicago.
Segundo análise da Royal Rural, o principal fator de sustentação dos preços foi a revisão dos números dos Estados Unidos no relatório de oferta e demanda do USDA. Para a safra 2025/26, o órgão elevou a estimativa de consumo interno em 3,17 milhões de toneladas, fazendo a demanda total alcançar 421,15 milhões de toneladas.
Como a projeção de produção foi mantida em 432,34 milhões de toneladas, o ajuste reduziu os estoques finais de 54,48 milhões para 51,31 milhões de toneladas.
Para a safra 2026/27, a produção norte-americana permaneceu praticamente estável, estimada em 406,42 milhões de toneladas. No entanto, a redução de 3,17 milhões de toneladas nos estoques iniciais, aliada ao aumento de 1,27 milhão de toneladas nas exportações, reforçou a perspectiva de uma oferta mais apertada.
Com isso, os estoques finais dos Estados Unidos foram revisados para baixo, passando de 49,78 milhões para 45,46 milhões de toneladas, movimento que deu suporte às cotações do cereal.
Trigo
O contrato futuro do trigo para entrega em setembro encerrou o pregão desta sexta-feira (10) cotado a US$ 6,40 por bushel, com valorização de 3,31% na Bolsa de Chicago.
Segundo a Agrinvest, o relatório de oferta e demanda do USDA reforçou o movimento de alta das cotações, mas o principal impulso veio do cenário geopolítico. Desde a abertura do mercado, os contratos já avançavam diante de relatos de interrupções no tráfego do Estreito de Kerch e da possibilidade de fechamento do Canal Azov-Don, rotas estratégicas para o escoamento das exportações de trigo da Rússia. A perspectiva de restrições logísticas elevou as preocupações com a oferta global do cereal e deu suporte adicional aos preços em Chicago.

