STF e PGR preveem dilema institucional com possível delação de Vorcaro, dono do Banco Master

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O Supremo Tribunal Federal (STF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) avaliam o impacto de uma eventual delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, caso o empresário implique os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli em investigações.

A possibilidade de as revelações atingirem integrantes da corte coloca o relator do caso, André Mendonça, e o procurador-geral, Paulo Gonet, diante do desafio de equilibrar a condução dos inquéritos com as relações internas no STF.

As negociações para o acordo ocorrem no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras. De acordo com o jornal Folha de S.Paulointerlocutores de Mendonça afirmam que o ministro pretende seguir com as apurações caso surjam evidências concretas, enquanto setores do tribunal demonstram cautela para evitar os excessos cometidos pela Operação Lava Jato. Para que a delação seja homologada, Vorcaro deve apresentar provas inéditas sobre o esquema.

No centro das suspeitas envolvendo Alexandre de Moraes está o escritório Barci de Moraes, que tem como sócia a esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes. Documentos da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado indicam que o Banco Master declarou pagamentos de R$ 80,2 milhões ao escritório Barci de Moraes entre 2024 e 2025.

O escritório confirmou a prestação de serviços de consultoria, mas negou atuação em causas no Supremo. Também são apuradas oito viagens de Moraes e sua esposa em jatos ligados a empresas de Vorcaro, o que o gabinete do ministro negou algumas vezes.

Em relação a Dias Toffoli, a Polícia Federal analisa mensagens sobre pagamentos feitos à empresa Maridt, da qual o magistrado é sócio. Os valores seriam referentes à venda de participação em um resort no Paraná a um fundo de investimentos utilizado pelo Master.

Toffoli afirma que a transação foi declarada e nega vínculos com o empresário. O ministro Kassio Nunes Marques também foi citado em documentos que apontam uma viagem em avião de empresa de Vorcaro, organizada por uma advogada do banco.

O alcance da instituição financeira chegou à cúpula da Polícia Federal. Em abril de 2024, o Master patrocinou um fórum jurídico em Londres que contou com a participação do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.

O evento custeou hospedagem em hotel de luxo e incluiu uma recepção com degustação de whisky avaliada em R$ 3,2 milhões, reunindo ministros e parlamentares. A informação foi publicada pelo site Poder 360 nesta quarta-feira (8). A PF informou que Rodrigues não recebeu benefícios financeiros e participou do evento apenas como palestrante.

Até o momento, os ministros do STF citados e o empresário Daniel Vorcaro não se manifestaram publicamente sobre os novos dados fiscais e os termos das negociações.

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