‘Tarcísio tem transformado a educação em uma guerra ideológica’, diz professor da USP

Publicada em

Os professores da rede estadual de São Paulo devem entrar em greve nos dias 9 e 10 de abril. A categoria reivindica à gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) reajuste salarial e a aplicação correta do piso nacional como base da carreira.

O professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) Daniel Cara afirma que os problemas na área da educação do estado paulista remontam governos anteriores, mas que com Tarcísio o cenário se agravou.

“A partir do governo Doria, e especialmente agora com Tarcísio, os professores estão sendo coibidos e coagidos a não reivindicar melhorias para suas condições de trabalho. Sem condições adequadas, o professor não consegue ensinar e os alunos não conseguem aprender. Tarcísio tem transformado a educação em uma área de guerra ideológica, inclusive usando tecnologias para controle do trabalho dos professores, e a gente tem a clareza que é um governo que parte para a afronta com relação aos professores”, afirma Cara.

“Ele tem tentado fazer com que a tecnologia substitua o professor, o que vai evidentemente dar errado. Além da guerra ideológica, ou seja, a defesa da escola sem partido, militarização de escolas, educação domiciliar…É um governador que não defende o direito à educação”, critica.

Só temporários

Daniel Cara também analisa a informação de que a maioria dos professores que foi admitido na Prova Nacional Docente ocupou cargos que não foram mantidos. Das mais de 16 mil contratações, 97% eram temporárias. O objetivo divulgado, na época, era de que o exame seria um instrumento para aumentar as contratações no país.

“Essa prova não significa a certeza de contratação. E o problema é que as vagas que estão disponíveis são vagas temporárias. Nem estados, nem municípios buscam fazer concursos para contratação de professores, salvo raríssimas exceções. Essa prova tem o objetivo de fazer uma avaliação de futuros docentes e isso reduz custos. Porém, é preciso fazer uma política de contratações”, afirma Cara.

Para o professor da USP, o governo federal deveria colaborar com estados e municípios desde que houvesse transparência. “Nós temos um problema generalizado de falta de transparência. Isso precisa ser superado para garantia do concurso, que é o único caminho para você ter uma educação de qualidade. Porque a estabilidade ela é uma prerrogativa imprescindível da liberdade de cátedra, ou seja, o professor tem que ser estável para que ele possa, de fato lecionar”, explica.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Source link