Com foco na preservação, partilha e continuidade dos saberes ancestrais, o Terreiro Africano Nosso Senhor do Bonfim abriu inscrições gratuitas para o projeto “Vivência de Saberes Ancestrais”, que promoverá 20 encontros fundamentados na tradição dos Orixás Nagô Ẹ̀gbá de Pernambuco. As inscrições seguem abertas até o dia 2 de março.
As atividades acontecerão no Terreiro, que fica na Travessa Horizontina, nº 22, Mangueira, Recife, sempre das 18h às 23h, e são voltadas prioritariamente a integrantes de Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Afro-brasileira e Afro-indígena.
Realizadas pelo Terreiro Africano Nosso Senhor do Bonfim, as vivências integram a rotina da casa e propõem uma imersão nos itans, que são as histórias míticas dos orixás, nos cânticos em língua yorubá, no uso das ervas sagradas, no preparo das comidas de orixás, além do aprendizado sobre a musicalidade e a ritualística. A proposta reafirma a centralidade da oralidade e da experiência coletiva como fundamentos da transmissão de conhecimento ancestral.
As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas por meio de formulário online. Mais informações estão disponíveis no Instagram @familia_bonfimofc ou pelo e-mail (e-mail protegido).
O projeto é destinado especialmente a Ìyálórìṣà, Bàbálórìṣà, Èkéjì, Ọ̀gá, Ìyàwó, Abíyàn, sacerdotisas, sacerdotes, juremeiras e juremeiros. Ao todo, são oferecidas 15 vagas, com participação integral obrigatória. A iniciativa aposta na profundidade da experiência e na construção de vínculos duradouros, reforçando a ancestralidade como prática viva que se preserva no encontro e na partilha.
O calendário de vivências acompanha os ciclos dos orixás e está organizado da seguinte forma: Exú nos dias 4 e 11 de março; Ògún em 18 e 25 de março; Oxóssi em 11 e 25 de abril; Obaluaê em 2 e 30 de maio; Nanã em 13 e 20 de junho; Oxum em 4 e 22 de julho; Iemanjá em 1º e 22 de agosto; Xangô em 5 e 26 de setembro; Oyá em 3 e 24 de outubro; e Oxalá em 7 e 28 de novembro.
Fundado em 19 de março de 1950 pela Yalorixá Joana de França Medeiros, conhecida como Mãe Joaninha de Oxaguian, o Terreiro Africano Nosso Senhor do Bonfim consolidou-se como uma das principais referências da tradição Nagô Ẹ̀gbá em Pernambuco. Ao longo de 75 anos de existência, a casa manteve vivos os fundamentos do Candomblé e da Jurema Sagrada, com conexões ancestrais com o Sítio de Pai Adão e outras referências históricas da religiosidade afro-pernambucana, afirmando-se como território de fé, cultura, resistência ao racismo religioso e preservação da memória afro-indígena no Recife.
Atualmente, o terreiro é zelado pela Yalorixá Cris de Oyá e pelo Babalorixá Lange de Oxalá, responsáveis pela condução das vivências e pelo compartilhamento de saberes acumulados por gerações.
A proposta também contempla acessibilidade e inclusão, garantindo acessibilidade estrutural no espaço físico e a disponibilização de intérprete de Libras, caso necessário, para assegurar a participação plena de pessoas com deficiência.
O projeto conta com incentivo da PNAB Recife, por meio do Edital Cultura Viva de Fomento a Projetos Continuados de Pontos de Cultura, e com apoio da Associação Amigos de Nossa Senhora da Conceição, do Coletivo Anarriê e da Diáspora Brasil.

