Tetê Moraes, diretora de ‘Terra para Rose’, vai receber a Medalha Tiradentes da Alerj

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Cineasta, jornalista, escritora e professora, Tetê Moraes se prepara o lançamento de um quarto filme sobre o assentamento, com título provisório de “Roses: 40 anos depois”. O documentário foi filmado durante a comemoração de quatro décadas do assentamento na Fazenda Annoni, localizado no norte do Rio Grande do Sul, no final de 2025.

“Hoje, já são várias ‘Roses’ espalhadas pelo país e eu vou contar a história dessa nova geração. Os filhos dos assentados, que eram acampados na época do primeiro filme, hoje são pequenos agricultores. Os filhos cresceram, estão indo para a universidade, estudando e trabalhando, com planos pessoais… É um salto histórico. Eu me considero uma biógrafa desse assentamento”, contou a diretora.

Com uma carreira que atravessa décadas cruciais da história brasileira, Tetê Moraes consolidou-se como uma das mais importantes documentaristas do país, utilizando o cinema como instrumento de denúncia social, preservação da memória política e valorização da cultura nacional.

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Ela foi pioneira ao documentar a luta pela reforma agrária no Brasil com sensibilidade e coragem, especialmente por meio da chamada Trilogia da Terra. O primeiro trabalho é o longa-metragem Terra para Rose (1987), vencedor do Gran Coral no Festival de Havana. O filme retrata a ocupação da Fazenda Annoni, em 1985, por 1,5 mil famílias sem terra, com destaque para a trajetória de Rose, assentada que foi assassinada durante a luta.

A ocupação da Fazenda Annoni, ocorrida em 1985, é amplamente reconhecida como um marco histórico na luta pela terra no RS e na fundação do MST. Foto: Eduardo Vieira da Cunha

Medalha Tiradentes

Por iniciativa da deputada estadual Marina do MST (PT), a diretora do documentário Terra para Rose, Tetê Moraes, irá receber a Medalha Tiradentes, a honraria mais importante da Assembleia Legislativa do Estado Rio (Alerj).

“Conceder à Tetê Moraes a Medalha Tiradentes, a honraria mais importante da Assembleia Legislativa, é um dever deste Parlamento para com quem dedicou a vida a registrar as lutas, as dores e as belezas do povo brasileiro”, disse a deputada.

Para o fundador do MST, João Pedro Stedile, a homenagem representa um reconhecimento a essa carreira. “Homenagear a cineasta Tetê de Moraes é uma necessidade histórica para perenizar sua contribuição como documentarista, que registrou muitas passagens e vidas do povo brasileiro, e sobretudo acompanhou durante 40 anos a luta pela terra do MST”, declarou.

“Desde que registrei a criação do primeiro grande assentamento do MST, eu me considero uma parceira desse movimento. É muito gratificante ser homenageada por pessoas que a gente respeita”, disse a diretora e produtora.

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