‘Tivemos avanços, mas não temos muito a comemorar’, diz ativista e escritor indígena sobre Brasil atual

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Neste domingo, 19 de abril, o Brasil celebra o Dia dos Povos Originários. Para comentar os avanços, retrocessos e desafios na pauta dos direitos indígenas, o Entrevista com BdF recebeu, na edição de sexta-feira (17), o ativista e escritor Djagwa Tukumbó.

Tukumbó criticou a interpretação do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a tese do Marco Temporal, que invalidou o que previa a Constituição de 1988: a demarcação das terras indígenas em cinco anos.

“Não temos muitas coisas para comemorar. Nós já estamos em 2026 e as nossas terras, na sua maioria, não foram demarcadas. Nós temos 300 terras faltando a serem homologadas e mais 300 terras que, por causa desse impasse do marco temporal, estamos correndo o risco de perder. Então não tem muito o que comemorar”, critica.

O ativista reconhece os avanços nos governos Lula, que teve, pela primeira vez, um Ministério dos Povos Originários, com lideranças como Sônia Guajajara e, agora, com Eloy Terena, mas critica quando questões políticas atravessam as demandas legítimas dessa população.

“Tivemos avanços, mas não foi como esperávamos por causa dessas questões políticas que não dependem só da Sônia ou do presidente da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas). Dependia de todo o emaranhado político. E o Lula também foi eleito com uma frente ampla, em que havia também representantes empresariais do agronegócio e a gente sabe que nessa queda de braço é o mais forte que acaba ganhando”, avalia.

Tukumbó também fala sobre as duas correntes políticas entre os povos indígenas: uma tradicional, comprometida com a preservação cultural, a floresta viva e a economia sustentável; e outra, fruto do crescimento da extrema direita, que flerta com o bolsonarismo e acena para explorações, como a do garimpo, e o agronegócio.

“A ideia deles é: se há o garimpo nas terras indígenas, por que não a gente mesmo explorar? Mas isso é contra o pensamento indígena de preservação. A ideia de riqueza começa a se assemelhar a do não indígena, que é o acúmulo de riquezas e os vários problemas da civilização”, explica.

Ele acrescenta que, por outro lado, há a perspectiva presente no governo Lula. “Que preza pela questão cultural e pela permanência e desenvolvimento de nossas questões. Eu acredito que temos que lutar pela continuidade do governo, mas, agora, com uma frente indígena para auxiliar ele em algumas decisões. Eu vejo que muitas coisas ele não tomou decisões mais acertadas por falta de uma assessoria que o guiasse”, avalia.

Para ouvir e assistir

Ó Entrevista com BdF vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo.

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