Nesta sexta-feira, 1º de maio, as ruas do Brasil foram palco de uma expressiva mobilização em celebração ao Dia do Trabalhador e da Trabalhadora. Em Brasília (DF), no Eixo Rodoviário, o Eixão Sul, movimentos sindicais e sociais vinculados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) se concentraram para pautar as reivindicações centrais da classe.
Durante o ato, houve um princípio de confusão causado pela provocação de um grupo que expôs um totem do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o que gerou reação dos manifestantes e exigiu intervenção da Polícia Militar para restabelecer a ordem, sem registro de feridos ou prisões.
À parte o conflito, as pautas que unificaram os atos por todo o Brasil foram de natureza estrutural e trabalhista. Em todas as regiões, o centro das mobilizações foi a luta pelo fim da escala 6×1 e a aprovação do projeto de lei, enviado pelo governo federal, que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salário, tramitando em regime de urgência no Congresso Nacional.
Na Região Norte, os atos em Belém (PA) e Manaus (AM) destacaram o impacto da jornada exaustiva na saúde física e mental. Na capital paraense, os manifestantes se reuniram na Praça da República, onde também denunciaram a precarização, o desemprego e a alta no custo de vida.
Em Manaus, a concentração ocorreu no centro, reforçando a pressão sobre parlamentares para que o descanso semanal e a convivência familiar sejam garantidos através da nova legislação.
No Nordeste, a capital piauiense, Teresina, teve um ato na Praça da Liberdade que aprofundou o debate sobre a pejotização do trabalho. Estudantes, sindicalistas e movimentos populares alertaram para a perda de direitos decorrente da transformação de trabalhadores em prestadores de serviço sob o regime de CNPJ.
Em Salvador, o estacionamento do Jardim de Alah, na zona leste da capital baiana, reuniu diversas centrais sindicais e partidos, que incluíram na agenda a regulamentação do trabalho por aplicativos e o fortalecimento das negociações coletivas.
Além das questões econômicas e de jornada, o combate ao feminicídio foi uma bandeira comum e transversal em cidades como Belém, Teresina e Salvador. As manifestações cobraram políticas públicas eficazes de proteção às mulheres e destacaram o papel da educação na desconstrução das estruturas de violência e desigualdade.
Escala 6×1
A tramitação das medidas pelo fim da escala 6×1 no Congresso Nacional ocorre em duas frentes distintas, com ritos e alcances diferentes. A via mais célere é o Projeto de Lei enviado pelo governo federal em 2026, que tramita com urgência constitucional.
Este projeto foca na redução da jornada de 44 para 40 horas semanais e na garantia de dois dias de descanso, sem redução salarial. Por possuir o regime de urgência, o texto tem prioridade na pauta e pode ser votado diretamente no plenário caso os prazos nas comissões se esgotem, funcionando como uma resposta imediata do Executivo à pressão popular.
Paralelamente, tramitam Propostas de Emenda à Constituição que propõem mudanças ainda mais profundas, como a redução da carga horária para 36 horas semanais ou a implementação da semana de quatro dias de trabalho.
Diferente do Projeto de Lei, as PECs exigem um rito mais rigoroso, passando obrigatoriamente pela Comissão de Constituição e Justiça para análise de admissibilidade e, posteriormente, por uma Comissão Especial. Para serem aprovadas, elas demandam quórum qualificado de três quintos dos votos na Câmara e no Senado, em dois turnos de votação. Enquanto o PL busca uma solução de consenso para a jornada de 40 horas, as PECs representam a disputa por uma reforma estrutural mais ampla no modelo de trabalho brasileiro.

