A tarifa zero no transporte público é um instrumento para redução drástica das desigualdades no Brasil, segundo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB). O estudo “A tarifa zero no transporte público como politica de distribuição de renda” mostra que a implementação da gratuidade no transporte público nas 27 capitais brasileiras representaria uma injeção de R$ 60,3 bilhões anuais na economia do país e poderia ter um efeito semelhante ao do Bolsa Família.
Em entrevista ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de Fato, o pesquisador Paíque Duques Santarém, doutor em arquitetura e urbanismo e membro do Observatório das Metrópoles do Distrito Federal, conta como o grupo chegou à conclusão de que a tarifa zero é uma política de combate às desigualdades. Ele também fala da importância do acesso ao transporte público e de qualidade para toda a população.
“Na mobilidade urbana existe um conjunto de desigualdades. Uma primeira questão é que há um conjunto da população que utiliza o transporte coletivo por obrigação, porque não tem outros meios de circulação na cidade, não pode utilizar carro, não pode utilizar transporte por aplicativo. O ideal era todo mundo estar andando de ônibus, trem, metrô, com muita qualidade, e não prejudicando o planeta, a cidade e as vidas com os carros. Mas hoje quem anda de transporte coletivo, em grande parte, está ali por algum nível de obrigação”, argumenta.
Os pesquisadores analisaram dados de renda da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio que comprovaram isso. “Nós vimos, primeiro, que o transporte coletivo tem uma dimensão de segregação das pessoas que estão nele. E, se recortarmos pela raça, vemos que a população negra, ou seja, a população preta e parda, tem rendas inferiores à população branca nos diferentes domicílios. É uma diferença média nacional de 2,2%”, explica Santarém.
O urbanista destaca que o impacto do valor da passagem do transporte na renda mensal das famílias fica evidente em todo início do ano, quando há reajustes de tarifas na maioria das cidades. “Uma família que tem uma renda média de um a dois salários mínimos, considerando aqui no Distrito Federal, o gasto médio das famílias que usam cinco passagens por dia é de R$ 260 por mês. O aumento de passagem vai aumentar isso para R$ 280, R$ 290 por mês. Esse valor dentro de um salário mínimo, dentro de uma família de baixa renda, é muito grande. Uma família que tem menor renda vai comprometer 12%, 15%, 17%, 20% do salário dela, da renda mensal dela”, pontua.
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