Tribunal de Contas do DF exige explicações sobre patrocínios milionários do BRB

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O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) concedeu um prazo de cinco dias para que o Banco de Brasília (BRB) preste esclarecimentos sobre patrocínios milionários, entre eles o de uma sala VIP no Aeroporto Internacional de Brasília.

A medida atende a uma representação encaminhada pelo deputado distrital e vice-presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), Ricardo Vale (PT).

Na ação, o parlamentar argumenta que o investimento de aproximadamente R$ 58,3 milhões por um período de apenas seis meses é incompatível com a atual fragilidade econômica da instituição.

“Aduz que os fatos relatados evidenciam possível continuidade de práticas de gestão temerária, em desacordo com os princípios que regem a administração pública, notadamente diante do cenário de crise financeira enfrentado pelo banco”, diz um trecho da representação encaminhada por Vale.

O deputado também questionou a renovação do patrocínio com o Clube de Regatas do Flamengo, no valor de R$ 42,6 milhões por um ano. O distrital reiterou que tais gastos não dialogam com a realidade financeira do BRB e citou a resistência do próprio clube carioca em manter a parceria nos moldes atuais.

“Não vamos aceitar que recursos públicos sejam comprometidos sem transparência e sem justificativa clara. Esse contrato levanta dúvidas sérias, e o BRB precisa explicar, de forma objetiva, por que assumiu esse compromisso milionário enquanto enfrenta questionamentos sobre sua situação financeira”, afirmou o deputado.

Embora a decisão do TCDF foque no pedido de explicações, Ricardo Vale solicitou uma medida cautelar para suspender o contrato da sala VIP no aeroporto, além da realização de auditorias para verificar a legalidade e a oportunidade dos contratos de patrocínio firmados pela instituição.

Ó Brasil de Fato DF solicitou posicionamento do BRB sobre a decisão do Tribunal de Contas, mas até a publicação desta matéria não houve manifestação. O espaço segue aberto para resposta.

BRB no alvo da Operação Compliance Zero

Os questionamentos ocorrem em meio a investigações sobre a relação do BRB com o Banco Master, alvo da Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF). Entre 2024 e 2025, cerca de 83% dos ativos do BRB eram oriundos de carteiras de crédito adquiridas do Master, totalizando mais de R$ 29 bilhões.

A PF investiga se essas aquisições serviram para socorrer o Banco Master, que supostamente não teria meios de honrar seus títulos. Nesta quinta-feira (17), o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso no âmbito da quarta fase da operação.

A ação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), baseia-se em indícios de que Costa teria recebido propina do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para viabilizar a compra de ativos pelo banco público brasiliense.


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