Trump chama Xi Jinping de ‘grande líder’, e presidente chinês diz que EUA e China devem ser ‘parceiros, não adversários’

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“Você é um grande líder. Às vezes as pessoas não gostam quando digo isso, mas digo assim mesmo, porque é verdade”. A frase foi dita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao líder chinês Xi Jinping na manhã desta quinta-feira (14) durante encontro bilateral no Grande Salão do Povo, em Pequim, na primeira visita de um presidente estadunidense à China em nove anos. O Brasil de Fato acompanhou a cerimônia de recepção e os minutos iniciais da reunião.

Xi, que fez a fala inicial como anfitrião, disse que os interesses comuns entre China e Estados Unidos superam as diferenças entre os dois líderes.

“Quando os dois lados cooperam, ambos ganham; quando se confrontam, ambos perdem. Devemos ser parceiros, não adversários”, destacou.

O tom cordial contrastou com os dias anteriores. Na semana passada, Washington havia sancionado refinarias chinesas por comprar petróleo iraniano, e Pequim respondeu de maneira inédita acionando sua lei antiobstrução, determinando que empresas chinesas não respeitassem as medidas estadunidenses.

Comitiva bilionários

Trump trouxe a Pequim uma delegação de mais de trinta empresários estadunidenses. Mais de dez deles estiveram presentes na cerimônia de recepção no Grande Salão do Povo, onde a segunda fila da delegação estadunidense era formada por alguns dos maiores bilionários do planeta: o dono da Tesla e da SpaceX, Elon Musk, o presidente-executivo da Nvidia, Jensen Huang, e o presidente-executivo da Apple, Tim Cook. A primeira fila era ocupada por altos funcionários do governo, entre eles o secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário do Tesouro, Scott Bessent. “Convidamos os 30 maiores do mundo, e todos disseram sim. Quis apenas o número um de cada empresa”, disse Trump.

Na recepção do governo chinês ao governo dos Estados Unidos no Grande Salão do Povo, imediatamente atrás das principais figuras do gabinete da administração Trump, como o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário do Tesouro Scott Bessent, o secretário de Guerra Pete Hegseth e o representante comercial Jamieson Greer, estavam alguns dos principais bilionários do planeta: Jensen Huang, presidente-executivo da Nvidia, Stephen Schwarzman, diretor-executivo do Blackstone Group, Elon Musk, dono da Tesla e da SpaceX, e Tim Cook, presidente-executivo da Apple.
Na recepção do governo chinês ao governo dos Estados Unidos no Grande Salão do Povo, imediatamente atrás das principais figuras do gabinete da administração Trump e alguns dos principais bilionários do planeta. | Crédito: Mauro Ramos / Brasil de Fato

Xi Jinping recebeu o grupo de empresários em uma reunião à parte. O presidente chinês afirmou que empresas estadunidenses estão profundamente envolvidas na abertura econômica da China e que ambos os lados se beneficiaram disso, segundo a agência Xinhua. “A China só abrirá suas portas cada vez mais”, disse Xi, manifestando confiança de que as empresas estadunidenses terão perspectivas ainda mais amplas no país.

China na busca do equilíbrio

Xi Jinping tem o hábito de citar autores em seus discursos a líderes estrangeiros. No discurso de abertura, escolheu um conceito de um cientista político estadunidense para enquadrar o encontro: a armadilha de Tucídides, que sustenta que uma potência emergente necessariamente ameaça uma já estabelecida. “Podem China e Estados Unidos superar a chamada armadilha de Tucídides e inaugurar uma nova normalização das relações entre grandes potências?”, questionou Xi. “Essas são questões da história, questões do mundo e questões dos povos”.

Segundo o comunicado oficial divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores da China, os dois presidentes concordaram em construir uma “relação sino-estadunidense de estabilidade estratégica construtiva”, definida como diretriz para os próximos três anos. O conceito prevê cooperação como regra, competição dentro de limites adequados, diferenças administráveis e paz previsível.

Na véspera da cúpula, as equipes econômicas dos dois países chegaram a uma compreensão na área comercial descrita por Xi como “geralmente equilibrada e positiva”. O presidente chinês afirmou que “a China só abrirá suas portas cada vez mais” e que empresas estadunidenses são bem-vindas a ampliar sua cooperação com o país.

Taiwan, a linha vermelha

Durante as conversações, Xi Jinping evidenciou a Trump que Taiwan é o assunto mais importante nas relações entre os dois países. Segundo o comunicado oficial chinês, Xi afirmou que, se a questão for bem administrada, a relação bilateral pode manter estabilidade geral. Caso contrário, os dois países podem colidir ou até entrar em conflito, levando as relações sino-estadunidenses a um ponto de grande perigo. Xi afirmou que a independência de Taiwan e a paz no Estreito “são tão incompatíveis quanto fogo e água” e pediu que Washington exerça “extrema cautela” na questão.

Em coletiva de imprensa realizada à tarde, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, reiterou que salvaguardar a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan representa o maior denominador comum entre China e Estados Unidos, e que o lado estadunidense deve proceder com a máxima cautela ao lidar com a questão taiwanesa.

Para Li Bo, presidente do Instituto Chunqiu de Desenvolvimento e Estudos Estratégicos, em Xangai, evidenciar a posição chinesa sobre Taiwan é uma das questões principais desta visita. “Para a China, é muito importante fazer a equipe estadunidense entender que Taiwan é um interesse central do país, e também exigir que realmente reduzam o envio de sistemas de armas a Taiwan. Será uma postura muito firme”, avaliou.

Os dois presidentes também conversaram sobre a situação na Ásia Ocidental, a guerra na Ucrânia e a península coreana, e concordaram em apoiar mutuamente a realização das cúpulas da APEC e do G20 neste ano.

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