O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a dar prazo para que o Irã normalize o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. Ele afirmou que “o tempo está se esgotando” e disse que restam 48 horas dos dez dias que havia estabelecido para ampliar os ataques, caso o local continue fechado para a passagem de navios estadunidenses, israelenses e de países aliados às duas nações.
Por meio de sua rede social, Trump prometeu uma ofensiva devastadora contra as infraestruturas de energia iranianas se o bloqueio não seja revertido. “Lembram-se de quando dei ao Irã dez dias para fazer um acordo ou abrir o Estreito de Ormuz? o tempo está se esgotando, 48 horas antes que o inferno se abata sobre eles. glória a DEUS!”
A ameaça de Trump se dá justamente no momento em que o tráfego em Ormuz atingiu o maior nível desde o início da guerra, com o aumento do número de embarcações sem ligação com o Irã utilizando a via.
O Irã aprovou neste sábado a passagem de navios que transportam ajuda humanitária e insumos essenciais. Além disso, embarcações comerciais da França, do Japão, de Omã, da Índia e do Panamá conseguiram cruzar o Estreito de Ormuz nos últimos dias, em uma sinalização do Irã de que o tráfego na região só está proibido para navios ligados aos Estados Unidos, a Israel e a nações que apoiam os dois países.
Putin quer mediar
Enquanto os EUA apostam no ultimato militar, o presidente Vladimir Putin manifestou oficialmente a disposição do Kremlin em atuar como mediador para estabilizar a crise. “A situação na região suscita nossa preocupação comum. Por nossa parte, estamos dispostos a fazer todo o possível para que a situação volte à normalidade.”
A Rússia considera o fim das hostilidades essencial para garantir a segurança de parceiros estratégicos, como o Egito. “Dei instruções ao Governo para que estude com os colegas egípcios as questões do fornecimento de produtos alimentares ao Egito, principalmente nosso grão”, destacou Putin.
Como parte de uma estratégia de longo prazo, Moscou propôs a criação de um grande centro logístico de energia e grãos em solo egípcio para mitigar os impactos da guerra no Golfo. A proposta visa blindar o fornecimento de alimentos e produtos básicos para a região.
No Irã, o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores de Teerã, Esmaeil Baqaei, classificou as ações de Washington e Tel Aviv não apenas como crimes de guerra, mas como um processo sistemático de genocídio contra a nação persa.
“Isso não é um ato isolado de crueldade, mas parte de um padrão sistemático e brutal de guerra ilegal contra o Irã”. Segundo dados oficiais do governo iraniano, mais de 600 instituições de ensino foram alvos de bombardeios desde o início das agressões, com centenas de vítimas civis, incluindo crianças.

