Trump demite comissários e esvazia órgão eleitoral antes das eleições parciais de novembro

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desmantelou a Comissão de Assistência Eleitoral do país quatro meses antes da eleição de meio de mandato, que será realizada em novembro, para renovar os representantes em toda a Câmara dos Deputados e um terço do Senado. O estadunidense demitiu os últimos três comissários do órgão federal independente que auxilia autoridades responsáveis pela organização das eleições nos EUA.

Desde que assumiu o segundo mandato, Trump insiste na narrativa de que houve fraudes no pleito de 2020 e chegou a determinar investigações sobre a vitória de Joe Biden, além de defender mudanças nas regras de voto. Com a manobra, Trump tenta ter mais influência sobre o sistema eleitoral, tradicionalmente administrado pelos estados.

Em entrevista ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de FatoRicardo Leães, professor e pesquisador de Relações Internacionais, critica a ação de Trump, mas não acredita numa mudança substancial e profunda no sistema eleitoral. “Me parece que o esvaziamento do órgão é muito mais para garantir que determinados abusos que já são normalmente cometidos passem impunes do que efetivamente para realizar uma mudança nova no sistema”, avalia.

Leães destaca que a situação, embora acenda um alerta, não é propriamente nova e revela a fragilidade da “dita maior democracia do mundo”. “Com certeza é uma tentativa de manipular, até porque não existe um sistema nacional nos EUA, essas manipulações já acontecem. Existem vários mecanismos para que determinados eleitores não consigam votar e haja facilidade maior para outro grupo. E isso acontece muito mais para os republicanos”, explica.

Fim do cessar-fogo

Na política externa, o valor do petróleo voltou a oscilar nesta sexta-feira (10) em meio ao tradicional vaivém de declarações de Trump e à constante tentativa de dominar a narrativa do conflito. Ele chegou a dizer que foi procurado pelo Irã para retomar as negociações e, poucas horas depois, declarou o fim do cessar-fogo. Contudo, o governo persa nega ter acionado os EUA.

Para Ricardo Leães, os Estados Unidos deixaram de cumprir as determinações do memorando de entendimento e, dessa forma, o Irã está desobrigado também de qualquer acordo. “Os ataques ocorrem de lado a lado. Hoje, (sexta-feira (10)), um centro petroquímico no Irã teria sido atacado e o Irã já prometeu que vai retaliar. Isso tudo coloca uma pressão muito grande nos preços do petróleo e dos combustíveis”, analisa.

A Agência Internacional de Energia (AIE) alertou, nesta sexta-feira (10), que, caso haja a retomada do conflito aberto entre Irã e EUA haverá desabastecimento. “Notem que eles não dizem mais no condicional. Eles não falam mais em risco, mas falam que, sim, haverá desabastecimento”, destaca. O professor ressalta que o cessar-fogo nunca foi desrespeitado. “O que nós temos agora é uma guerra de baixa intensidade”, resume.

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