Trump fala em ‘adiar ataques’ após conversas ‘produtivas’ com o Irã; Teerã não confirma eventuais negociações

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que decidiu adiar ataques militares contra o Irã após o que descreveu como conversas “muito boas e produtivas” entre os dois países. Em publicação na plataforma Truth Social na manhã desta segunda-feira (23), o republicano disse que ordenou ao Departamento de Guerra a suspensão de ações contra usinas e infraestrutura de energia iranianas por cinco dias, condicionada ao andamento das discussões.

“Tenho o prazer de informar que os Estados Unidos da América e o Irã tiveram, nos últimos dois dias, conversas muito boas e produtivas a respeito de uma resolução completa e total de nossas hostilidades no Oriente Médio”, escreveu. Segundo ele, a decisão foi tomada “com base no teor e no tom dessas conversas aprofundadas”, que devem continuar ao longo da semana.

As autoridades iranianas, no entanto, negaram que haja negociações. Em entrevista à agência Tasnimum funcionário da segurança do país persa afirmou que não ocorreu diálogo e que Trump recuou diante de ameaças militares consideradas críveis por parte do Irã contra infraestruturas. Segundo a fonte, pressões de mercados financeiros e riscos a títulos nos Estados Unidos e no Ocidente também influenciaram a decisão.

Ainda de acordo com o funcionário, desde o início da guerra, mediadores enviaram mensagens a Teerã, mas a resposta foi de que o país seguirá se defendendo até atingir o nível de dissuasão considerado necessário. “Nenhuma negociação está em andamento ou ocorreu”, afirmou.

A guerra dos EUA e de Israel no Irã começou no dia 28 de fevereiro, quando o então líder supremo do país, Ali Khamenei, foi morto junto a comandantes e civis. As ações incluíram bombardeios contra alvos em diferentes regiões do país, com registros de mortos e danos à infraestrutura. Em resposta, as Forças Armadas do Irã realizaram operações contra posições dos Estados Unidos e de Israel em territórios ocupados e bases na região, com uso de mísseis e drones.

O presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou, em publicação na rede X, que ameaças externas não enfraquecem o país e tendem a mobilizar a população. Ele disse que a ideia de eliminar o Irã representa um fracasso político e que o Estreito de Ormuz segue aberto a outros países, com exceção daqueles que adotem ações contra Teerã.

Pezeshkian declarou ainda que o Irã responderá a ameaças e que qualquer provocação terá reação no campo de batalha. Segundo ele, o país mantém posição diante das pressões externas e seguirá reagindo a medidas adotadas por Estados Unidos e Israel.

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