Trump usa narrativa da guerra para impactar o mercado financeiro, diz analista

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As negociações entre Estados Unidos e Irã para o fim da guerra seguem sem possibilidade de um desfecho no curto prazo. O Paquistão tem se mostrado como um ator importante nesse processo de diálogo, ao mesmo tempo em que o presidente estadunidense Donald Trump continua afirmando que quem deseja o fim da guerra é o Irã, em uma tentativa de se mostrar forte em um conflito sobre o qual não tem mais controle.

“A gente teve uma negociação do cessar-fogo que não foi cumprida e isso traz um elemento de desrespeito ao direito internacional e um alto nível de desconfiança. Trump tem mantido essa narrativa, negada por fontes iranianas, que afirmam que o país está disposto a manter a defesa de sua soberania. A narrativa de Trump tem o interesse de impactar positivamente o mercado financeiro com essa projeção de continuidade de uma guerra”, avalia a analista internacional Amanda Harumy, em entrevista ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de Fato.

“A palavra de Trump não está valendo muito. Ele descumpre cessar-fogo, ele se contradiz, tem decisões que são ultimatos mas não são. Isso tem se repetido. É uma dinâmica muito relacionada à narrativa”, complementa.

“O Irã tem conseguido resistir com muita estratégia, usando a geopolítica. Porque a partir da geografia, eles conseguem controlar essa tensão do conflito e desestabilizar (o outro lado). Por isso, não dá para fazer apenas uma análise quantitativa. O Irã tem conseguido contra-atacar os EUA mesmo se tratando de uma potência bélica”, afirma.

Harumy esclarece que, além do papel diplomático, o Paquistão tem representado os interesses da China, que não deseja entrar diretamente na negociação. “É um representante da linha política da China, que busca o fim desse conflito porque ele impacta no acesso ao petróleo, ao gás natural, entre outras riquezas, à Ásia, e por consequência impacta a economia chinesa”, diz.

Israel segue com ataques ao Líbano que, até o momento, já deixaram mais de 2 mil mortos. Para Harumy, o impasse entre Irã e EUA precisa ser colocado no mesmo patamar do tensionamento entre Israel e Líbano, porque são capítulos diferentes de um mesmo livro. “É importante lembrar o quanto é grande a dinâmica dessa guerra. A gente precisa interpretar toda essa complexidade do Oriente Médio como um projeto de poder dos EUA e de Israel para construir a Grande Israel, mas também de dominar uma região que tem muitos recursos. Recursos naturais, petróleo, e que vem estendendo essa dinâmica de guerra sob interesse dos Estados Unidos há muito tempo”, avalia.

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