Padre Limacêdo, às vezes carinhosamente chamado pelos mais pobres como Padre Macêdo, foi ordenado por Dom Jaime em 12 de janeiro de 1986 em frente à Matriz de Nossa Senhora da Apresentação do Limoeiro.
Daí para frente, a causa dos menores de rua e da periferia, dos agricultores, dos mártires da luta pela terra, dos Sem Terra, dos catadores de material recicláveis, dos deficientes e das mais diversas pastorais se tornaram parte da sua agenda. Homem de leitura, de profunda oração e de um coração de pastor, que a todos acolhia, não importando cor, classe social, ou qualquer tipo de segregação.
Em Buenos Aires, numa noite tensa na ocupação do engenho Cavalcanti, em 1993, sob ameaça de conflito com a Polícia Militar, ele realizou uma vigília que durou toda a madrugada junto aos Sem Terra, numa tentativa de diálogo com as autoridades e evitando a violência em caso de uma ação.
Em Paudalho, num Natal do Senhor, enquanto se preparava para celebrar o mistério da encarnação, foi chamado pelos catadores por conta de um incêndio no lixão. Naquela noite, subiu ao altar da matriz do Espírito Santo trazendo na pele o cheiro não do incenso, mas da fumaça negra e poluída que os catadores respiravam.
Sua história, marcada pela mística do mistério da encarnação do filho de Deus, é também uma busca por entender o sofrimento humano. E assim, em quatro de abril de 2018, o Papa Francisco o nomeia bispo de Sardes, no Marrocos, repetindo o caminho que fizera Dom Hélder Câmara. Uma sucessão mística, simbólica e nada casual.

Sua ordenação episcopal ocorreu em 10 de junho de 2018, em Nazaré da Mata, terra dos caboclos de lança, do maracatu, do frevo, da luta por terra, dos poetas e também é a terra onde nasceu, cresceu, estudou, trabalhou e agora se ordenara bispo Dom Limacedo. Seu lema episcopal não poderia ser outro: “A palavra é querida” (“O verbo de Deus se fez carne”).
Aquela praça testemunhou um fato nunca visto: uma mulher, catadora do lixão de Limoeiro subia até o altar e entregara ao bispo ordenante o báculo de Dom Limacêdo.
Nomeado bispo auxiliar da Arquidiocese de Recife e Olinda, logo se envolveu com o povo de rua, com os catadores, com a causa dos indígenas, com a CPT, com as crianças da Turma do Flau e com as inúmeras dores do povo pobre naquele território. Veio a pandemia e ele, com o apoio de Dom Fernando Saburido, ajudaram a criar o Mãos Solidárias, parceria para distribuir marmitas para população em situação de rua.
O Espirito que sopra onde quer, o leva a Afogados da Ingazeira, sucedendo o profeta do sertão Dom Francisco Austregésilo. No Pajeú, a causa da casa comum o seduz e, assim, o Pastor do Pajeú se joga na defesa das águas, dos quilombos e das famílias de agricultores — sem deixar margem para dúvidas de qual seria sua missão. Um bispo sempre presente junto ao seu povo.
Nos últimos dias, uma reportagem feita por um jornal de grande circulação no estado, estampa como descrição “bispo negro, filho de cortador de cana e costureira”. A manchete é perfeita por lhe dar humanidade: um bispo que tem cor e origem social.
Hoje, passados oito anos de sua ordenação episcopal, queremos como família missionária te fazer chegar nosso carinho, respeito e admiração pelo ser humano que és. E como disse Dom Hélder: “…Graça das graças é não desistir. Podendo ou não podendo, cair; embora aos pedaços, chegar até o fim.”

