Venezuela retorna ao FMI após seis anos de bloqueio institucional

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A presidenta em exercício da Venezuela, Delcy Rodríguez, informou na quinta-feira (16), em pronunciamento à nação, que o Fundo Monetário Internacional (FMI) retomou suas relações com a Venezuela após seis anos de bloqueio institucional. Durante a intervenção, ela também promulgou a Lei Orgânica de Minas.

“Foi uma grande conquista da diplomacia venezuelana”, afirmou Rodríguez, agradecendo nominalmente a quem acompanhou o processo, como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o secretário de Estado Marco Rubio e suas equipes, além dos Emirados Árabes Unidos, Brasil e Catar.

“Não foi um gesto protocolar. Foi o mapa de uma negociação que levou meses para se concretizar e que a ultradireita venezuelana tentou sabotar sem sucesso”, ressaltou.

“É muito lamentável que o extremismo venezuelano tenha se dado ao trabalho de visitar capitais da Europa e outros países para tentar impedir este passo tão importante para nossa economia”, declarou.

Mais de 5 bilhões aguardam a Venezuela

A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, formalizou a retomada das relações com a Venezuela por meio de um comunicado no qual precisou que a decisão foi adotada “em conformidade com a opinião dos países membros do FMI que representam a maioria do poder total de votação”. Por trás dessa fórmula técnica há uma política concreta: a comunidade internacional reconhece o governo venezuelano como interlocutor legítimo.

O Banco Mundial (BM) também anunciou nesta quinta-feira a retomada de suas relações com Caracas, seguindo os resultados do processo de votação do FMI.

A suspensão datava de março de 2019, quando o Fundo reconheceu a oposição parlamentar como suposto governo no exterior, em sintonia com a campanha de sanções que Washington impulsionou desde então. A partir desse momento, a Venezuela ficou excluída das consultas do Artigo IV e suas reservas permaneceram congeladas — cerca de 3,568 bilhões em direitos especiais de saque, equivalentes a aproximadamente 5,1 bilhões de dólares.

Rodríguez precisou que são recursos destinados à recuperação dos serviços públicos. “Estamos normalizando todos os processos que implicam direitos da Venezuela no organismo”, disse, e destacou a importância do país “para nossa região”.

Venezuela: 100 dias que mudaram o mapa

A empresa de pesquisa Hinterlaces publicou esta semana um relatório sobre os primeiros 100 dias do mandato da presidenta em exercício que traça o contexto no qual chegam essas notícias.

Entre os 10 avanços documentados, os três primeiros são o respaldo institucional, a continuidade bolivariana e o diálogo estratégico internacional. “Estabilidade institucional, abertura econômica e diálogo estratégico para proteger o país e reativar seu rumo econômico”, resume a análise.

“A Venezuela faz parte desse organismo desde 1946”, lembrou Rodríguez ao se referir ao Fundo. A última consulta ao Artigo IV data de 2004 — mais de duas décadas de silêncio institucional que a diplomacia venezuelana acaba de romper.

“O bem prevaleceu”, concluiu a presidenta em exercício.

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