Vitória no primeiro turno | Brasil de Fato

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Segunda quinzena de maio de 2026, um pouco mais de quatro meses das eleições de outubro. Não é ainda o tempo melhor para fazer análises e prognósticos mais definitivos do seu resultado final. Ainda mais por parte de alguém com a experiência de ter sido candidato a deputado seis vezes, coordenador de campanhas, inclusive presidenciais, como a primeira depois da redemocratização, em 1989. E lembrando para as leitoras e leitores mais novos: houve vitória arrasadora de Lula no Rio Grande do Sul no segundo turno, com apoio de Brizola.

Os tempos e a conjuntura no Brasil e no mundo estão muito incertos, tornando impossível saber, ou dizer com alguma precisão, como estarão as coisas em outubro. As guerras e a ausência de paz, a violência e os feminicídios em crescimento, o El Niño sendo anunciado como provável no final da primavera, a corrupção por todos os lados com números e valores absurdos, entre muitos outros acontecimentos, tornam imprevisíveis os próximos meses e os próximos anos.

Urgente e necessário, neste contexto, e, felizmente cada vez mais possível, por incrível que pareça, depois de tudo que foi dito acima, a vitória de Lula no primeiro turno.

Lula, a cada dia que passa, torna-se um líder mundial reconhecido e admirado. Tanto por suas políticas em defesa dos direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores, por seus programas com participação social e popular, como, por exemplo, a PNEPS-SUS, Política nacional de Educação Popular em Saúde, e as iniciativas da Economia Popular e Solidária, quanto por sua capacidade de diálogo com todos os líderes mundiais, muitos dos quais, inclusive, sendo muito questionados.

O mundo está em crise por todos os lados. O Brasil, de alguma maneira, navega em águas mais ou menos tranquilas. A população e o eleitorado brasileiros estão a cada dia enxergando as ações positivas do governo federal, a capacidade de buscar caminhos solidários e de paz, o enfrentamento do sofrimento de mulheres, de juventudes, do povo negro e indígena, da população LGBTQIA+, da população de rua, catadoras e catadores, camponesas e camponeses, agricultoras e agricultores familiares e dos mais pobres entre os pobres.

Assim, uma vitória no primeiro turno deixou de ser impossível. E não é pelas pesquisas eleitorais, que, nesta altura do campeonato, ainda são de pouca credibilidade, devendo ser vistas apenas como elementos do cotidiano, podendo mudar, para melhor ou pior, a cada dia e semana.

A grande imprensa brasileira, que ao longo da história apoiou golpes e até ditaduras, começa a dar-se conta da realidade eleitoral. Não é a direita, muito menos a ultradireita, que está com a possibilidade da vitória, ante os muitos escândalos pipocando a cada dia, com alguns personagens até então bem considerados e avaliados. A faca e o queijo estão na mão, como se diz popularmente, com acordo crescente até da grande imprensa conservadora, da esquerda apoiada pela centro-esquerda e até por alguns setores da direita não neofascista.

Não estou sozinho na análise. Emir Sader, analista político respeitado, escreveu: “Agora Lula se torna favorito de vez. Presidente e pré-candidato amplia favoritismo no primeiro turno após escândalo envolvendo candidato bolsonarista e expõe a fragilidade da direita brasileira” (Brasil 247, 14.05.26).

Ao lado e junto com a eleição presidencial, não podem ser esquecidas as eleições para governadoras-es, senadoras-es, deputadas-os federais e estaduais. É preciso dar uma atenção mais que especial para a eleição de senadoras e senadores, deputadas e deputados federais.  Eleger um Congresso mais favorável a Lula presidente e do campo democrático-popular é fundamental para implementar políticas públicas com participação social e popular entre 2027 e 2030,  tornar o Brasil cada vez mais líder mundial da paz e dos direitos humanos, do cuidado com a terra e a natureza, e construtor de uma Sociedade do Bem Viver.

Muita coisa pode acontecer até outubro, mas os sinais são positivos, nesta que pode ser ou está se tornando a eleição das nossas vidas.

O que fazer até lá?  Muito trabalho de base, muita presença nas comunidades e nas periferias, permanente diálogo e conversa nas ruas, muito debate de um projeto estratégico de sociedade e de Brasil. O futuro e o resultado das eleições estão nas mãos de quem acredita e luta, de quem tem no ESPERANÇAR, com fé e coragem, o futuro do amanhã e da vida com justiça, igualdade, soberania e democracia.

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

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