Volume global de fertilizantes em risco equivale a consumo do Brasil no ano

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A soma de efeitos da guerra no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia coloca em risco um volume de 33,8 milhões de toneladas de fertilizantes básicos para nutrição da agricultura. O valor corresponde a tudo que o Brasil consome em um ano, alerta presidente da Yara Brasil, Marcelo Altieri.

Neste cálculo, estão os volumes produzidos na Rússia e nos países do Oriente Médio. A fabricação russa em risco é estimada em 18,8 milhões de toneladas, das quais 9,6 milhões são de amônia, 6 milhões de nitrato e 1,7 milhão de fosfato, substâncias essenciais para agricultura global que compõem o pacote “NPK”.

A crise de produção se desenha desde o início de 2022, quando começou o conflito bélico entre Rússia e Ucrânia, que impactou a operação de fábricas russas, lembra Altieri.

As outras 15 milhões de toneladas em risco provém do Oriente Médio, cenário que se agravou com o fechamento do Estreito de Ormuz, localizado entre Irã e Omã. Desse total, 3,9 milhões são de amônia; 2,1 milhões de ureia e 8 milhões de enxofre – base para outros nutrientes.

Juntos, os dois locais são o coração da produção de fertilizantes global. A Rússia é um dos maiores produtores e exportadores da matéria-prima, controlando cerca de 40% do comércio global de nitrato de amônio e respondendo por cerca de 15% da fabricação global. Por sua vez, os países Irã, Omã, Catar, Irã e Arábia Saudita são os principais fornecedores de nitrogenados no Oriente Médio e qualquer instabilidade nestes lugares afeta a cadeia alimentar.

Com o fechamento do Estreito de Ormuz, a intensidade da crise se intensificou, exigindo mais atenção. Até esta quarta-feira (15), 4 mil navios estavam represados no local estratégico para a passagem de petróleo e outras cargas e, segundo Altieri, mesmo com uma eventual abertura do Estreito nos próximos dias, a logística vai demorar a se estabilizar.

Além disso, os problemas na infraestrutura fabril que baliza a produção de fertilizantes mundial deve continuar atrapalhando o planejamento do agronegócio, além de mexer com os preços das commodities nas bolsas internacionais.

“Não está sobrando para os agricultores. A relação de troca está bastante pior que em 2022. Por exemplo, naquela época, uma tonelada de ureia era comprada com 60 sacas de milho. Agora, para adquirir a mesma tonelada é preciso 135 sacas. Mais que o dobro”, exemplifica o presidente da Yara Brasil em entrevista ao CNN Agro News.

O risco é muito alto, segundo ele, porque os insumos para a safra de verão no Brasil precisam chegar nos próximos 90 dias. O plano de recebimento e distribuição do adubo global está em xeque sob os efeitos implacáveis da logística em Ormuz, destaca o executivo.

Os navios que estão nos portos brasileiros, hoje, saíram do Oriente Médio e da Ásia antes da guerra no Irã. O problema – e o alerta – é com o atraso das saídas dos navios que estão represados, reforça Altieri. No radar também estão a queda do dólar e os preços dos grãos, que, neste momento, não ajudam a compensar a conta do produtor.

Segundo Altieri, a cautela e o planejamento vão imperar nas próximas semanas. No caso da Yara, o executivo assegurou que a empresa irá conseguir cumprir os contratos de fornecimento que já haviam sido feitos, pois a capilaridade das plantas de produção em outras regiões, como Estados Unidos e Canadá, sustenta o negócio da empresa.

A empresa também mantém três centros fabris no Brasil, que comporão os fertilizantes de formulação mais complexa que serão comercializados nesta safra 2026/27. Os locais ficam em Cubatão (SP), Rio Grande (RS) e Ponta Grossa (PR).

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